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Boeing está a guardar aviões em parques de estacionamento. Porquê?

A crise dos modelos 737 Max está a entupir as fábricas. Sem escoamento e espaço para guardar os aviões, a empresa recorreu à única e inusitada solução possível.

Quando a 10 de março, um voo da Ehtiopian Airlines se despenhou e matou todos os 157 passageiros, os alarmes soaram. O problema – idêntico ao que havia afetado um avião da Lion Air em outubro de 201, que também caiu e vitimou mais 189 pessoas – parecia ter origem nos novos sensores incluídos no novo modelo da Boeing, o 737 Max.

As duas quedas fatais lançaram uma série de suspeitas e de inevitáveis investigações, não só aos eventuais problemas que afetaram os aviões, mas também à própria conduta e métodos de certificação seguidos pelos reguladores. A resposta mais drástica teve origem na própria Boeing: confrontada com uma possível falha crítica nos seus modelos 737 Max, os aparelhos foram imediatamente impedidos de voar.

Com tantos aviões parados, foi preciso encontrar dezenas de lugares de estacionamento – e eles não abundam para aparelhos com estas dimensões. O 737 Max tem um comprimento que pode ir dos 35 aos 43 metros e uma largura de asas de 35.

Um canal de notícias de Seattle colocou um drone a sobrevoar a fábrica da Boeing em Renton, no estado de Washington,  e reparou numa situação inédita: dezenas de aviões estacionados em parques de estacionamento, lado a lado com carros.

Estima-se que só nesta fábrica existam pelo menos 100 aparelhos 737 Max à espera de uma reparação, com a “Bloomberg” a avançar que existem, espalhados pelo mundo, um total de 500 destes modelos parados.

Logo em março, no rescaldo do acidente do aparelho da Ethiopian Airlines, todos os 737 Max foram impedidos de voar, uma interdição que está a custar milhões à Boeing. Segundo a “Bloomberg”, a crise já custou à empresa uma desvalorização na ordem dos 36 mil milhões de euros.

Resolver o problema não será fácil. A “Reuters” estima que sejam necessárias cerca de 150 horas de trabalho em cada aparelho para assegurar o regresso aos céus, o que poderá dar um total de mais de 58 mil horas de reparações. E mesmo assim, a empresa terá que enfrentar as crescentes suspeições de que terá escondido o problema – bem como a F.A.A, a Administração Federal de Aviação que regula a aviação civil no país, que chegou a ser acusada de ter apressado os procedimentos de certificação do novo modelo.

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