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Foi finalmente desvendado o significado do final de “Os Sopranos”?

No novo livro que celebra os 20 anos da série, o criador David Chase ter-se-à descuidado – e revelado finalmente o que aconteceu a Tony.

Há precisamente 20 anos, um típico mafioso de New Jersey entrava num consultório de psiquiatria – e na vida de milhões de espetadores que, durante quase uma década, acompanharam fervorosamente uma das séries que marcaram o início da era dourada da televisão. A 10 de junho de 2007, milhões aguardavam o desfecho da obra-prima da HBO, que encerrou com um abrupto ecrã negro. Os que não ficaram paralisados, entupiram as linhas telefónicas das operadoras de cabo à procura de explicações: que falha técnica inesperada os havia impedido de saber o que iria acontecer a Tony Soprano? Desde esse fatídico dia que as teorias se multiplicaram – e o criador David Chase fez questão de alimentar a especulação. Até hoje.

Em “The Soprano Sessions”, – livro editado esta quarta-feira nos EUA e que reúne 20 anos de artigos, conversas e resumos detalhados dos episódios –, os críticos Alan Sepinwall e Matt Zoller Seitz, dos primeiros a escrever sobre a série, conversam relaxadamente com Chase. A transcrição da troca de argumentos pode, segundo a “The Atlantic”, conter um descuido que põe finalmente um fim a toda a especulação.

O descuido pode finalmente ter revelado uma decisão que o criador da série tem negado até à exaustão, deixando sempre no ar ambiguidade de um final que tem dividido os fãs. A maioria, confrontada com as centenas de análises à meticulosa construção da cena final, resignou-se à teoria de que Tony foi mesmo assassinado do restaurante pelo tipo com um casaco de cabedal. Uma pequena minoria continua a apostar num final aberto a interpretações, sempre ao som de “Don’t Stop Beliebin’”, o tema dos Journey que acompanha os planos finais.

As declarações de Chase nem sempre fão fáceis de descodificar. Numa polémica entrevista de 2014 à “Vox”, a resposta do argumentista gerou um mal entendido e a manchete saiu: “Tony Soprano não morreu”. Rapidamente, os representantes de Chase emitiram um comunicado a negar que teria sido esse o sentido da sua afirmação. Sem mais detalhes da transcrição da conversa reproduzida em “The Soprano Sessions” e com o aviso das constantes reviravoltas – e a teimosa insistência de Chase em manter tudo numa zona cinzenta –, quem sabe se não teremos mais um comunicado a negar o descuido.

Independentemente do destino final de Tony, não é por acaso que, vinte anos depois da estreia e mais de uma década após a transmissão de “Made in America”, ainda estejamos todos a analisar e a debater os seis minutos finais de “Os Sopranos”. Vivo ou morto, continuamos todos cheios de saudades do mafioso mais adorado de New Jersey.

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