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Há um Chernobyl no fundo do mar com radiações 100 mil superiores ao normal

O submarino Komsomolets afundou-se no mar da Noruega há 30 anos e está a pôr em risco uma das maiores zonas de pesca.

A 7 de abril de 1989, o submarino soviético Komsomolets navegava no Mar de Barents, a cerca de 420 quilómetros da costa norueguesa, quando um curto-circuito na sala das máquinas provocou um incêndio. O navio acabou por afundar, após ter estado a flutuar durante cinco horas. Agora, 30 anos depois do naufrágio, uma equipa de investigadores russos e noruegueses revelou que as mais recentes medições mostram que o submarino está a emitir níveis de radiação “100 mil vezes superior ao normal”.

Quando o Komsomolets afundou, estava equipado com dois reatores nucleares, dois torpedos com uma cabeça nuclear e 16 mísseis. Os meios de comunicação russos já o rotularam e falam de um “Chernobyl” no mar da Noruega.

Aquando da última medição de radiação, em 2008, um cientista russo já tinha detetado um pequeno derrame radioativo, mas sem gravidade. Antes disso, os níveis de radiação registados foram sempre baixos. A zona do mar onde se encontra afundado é uma das maiores áreas de pesca do mundo e as novas medições indicam que existem riscos para a alimentação.

Os cientistas verificaram uma nuvem que saia do tubo de ventilação e acreditam que o tubo está em contacto direto com a carga radioativa do navio. “Temos observado uma espécie de nuvem a sair do tubo de vez em quando. Em paralelo com o teste em que medimos a poluição, uma nuvem também saiu do tubo. Isso pode indicar que a poluição sai por impulsos”, explicou Hilde Elise Heldal, do Instituto Norueguês de Pesquisa Marinha, ao canal norueguês TV2, citada pelo “El País”.

O submarino já está no fundo do mar há 30 anos. Nos anos 1990, engenheiros russos fizeram uma proposta que o emergir, mas os custos eram elevados e existia o risco de danificar o navio. Optaram, depois, por selar as zonas de aberturas no casco com uma espécie de gelatina, que deveria protege-lo durante 20 a 30 anos. Segundo a agência de notícias RIA Novosti informou em 2007, as autoridades russas estimaram que a embarcação não representaria um perigo até 2015 ou 2025.

O Komsomolets faz parte dos navios do centro de construção de submarinos atómicos para a Frota Russa. Os resultados sobre os níveis de radiação emitidas pelo navio chegou logo após o submergível nuclear russo, um AS-12, conhecido como Losharik, também ter sofrido um incêndio no Mar de Barents. Durante a catástrofe morreram 14 marinheiros.

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