Atualidade

As rivalidades e os segredos da F1 estão todos na nova série da Netflix

O documentário chegou à plataforma a 8 de março e mostra os bastidores da última época.

“Lembro-me de em criança conseguir ouvir o eco dos carros pela cidade. É como um grito”, revela o piloto Daniel Ricciardo, enquanto passeia pelas boxes do Grande Prémio do Circuito de Melbourne, na Austrália, precisamente o seu país natal. Numa sequência rápida de planos, são vários os protagonistas da competição automóvel mais famosa do mundo que relatam a responsabilidade de gerir uma equipa de Fórmula 1, a pressão de vencer os adversários, por vezes até os próprios colegas de equipa. E até o medo de ver um filho a seguir-lhes os passos e a correr perigosamente e a alta velocidade.

É assim que começa a série de dez episódios do novo documentário da Netflix, “Fórmula 1: A Emoção de um Grande Prémio”. Em pouco mais de cinco horas, revemos os momentos mais dramáticos e entusiasmantes da temporada de 2018. Por opção e incompatibilidade com os produtores da série, ficaram de fora as equipas da Mercedes e da Ferrari, que têm lutado constantemente pela vitória no campeonato e que, no caso desta época, ficaram com os lugares do pódio – Lewis Hamilton, da Mercedes, venceu e Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen, da Ferrari, ficaram em segundo e terceiro lugares.

Mesmo sem câmaras nas garagens mais apetecíveis, há muito para ver nos bastidores das restantes equipas, ate porque a produção teve acesso total aos bastidores das equipas e até a momentos mais privados da vida dos pilotos e dos chefes de equipa. O resultado é um conjunto de imagens que vão fazr delirar aqueles que já são fãs da modalidade – e provavelmente converter aqueles que nem ligam muito ao desporto.

No primeiro episódio o protagonista é mesmo Ricciardo, que mostra um lado muito divertido, embora competitivo. O piloto da Aston Martin Red Bull Racing prepara a primeira corrida da época no seu país e aproveita para mostrar algumas imagens de quando corria ainda nos escalões mais jovens e momentos passados em família, no campo.

Para aqueles que acompanham a modalidade e o desporto automóvel há vários anos, o episódio mais revelador talvez seja o segundo, que tem lugar no Grande Prémio de Espanha, no Circuito de Barcelona. Este foi o pretexto perfeito para juntar gerações de pilotos espanhóis. Carlos Sainz Jr., da Renault, abre as portas de casa e os espectadores podem vê-lo em interação com a família e, em especial, com o pai. Carlos Sainz foi piloto de rally e duas vezes campeão do mundo da modalidade e, embora com as devidas diferenças, sabe o que é estar numa prova onde a adrenalina, o medo e a competitividade se misturam. O antigo corredor dá conselhos ao filho, que explica que o pai faz questão de assistir ao vivo à maioria das suas corridas porque em casa “fica demasiado nervoso”.

As rivalidades e os segredos da F1 estão todos na nova série da Netflix
Carlos Sainz Jr e Fernando Alonso

“Em 2005, conheci o Fernando Alonso no Grande Prémio de Espanha. Lembro-me de regressar a casa e dizer ao meu pai: ‘Quero ser como o Fernando Alonso. Quero ser um piloto de Fórmula 1’. Espero um dia juntar o meu nome à lista de pilotos espanhóis que ganharam uma corrida de F1.”, conta Carlos Sainz Jr., ficando claro que, apesar de ver Alonso como um exemplo, olha para ele agora também como um adversário – e que há um gosto especial em tentar vencer o ídolo.

Nem tudo são momentos bonitos na vida da F1. Registam-se momentos de tensão entre Daniel Ricciardo e Max Verstappen, os dois pilotos da Aston Martin Red Bull Racing, que acabam mesmo por envolver-se num acidente no Grande Prémio do Azerbaijão.

“Falámos disso antes da corrida. Os pilotos entraram em acordo que iriam dar espaço um ao outro.”, explica Christian Horner, líder da equipa. Tudo aconteceu quando Ricciardo tentava ultrapassar o colega e Verstappen não permitiu a manobra, o que resultou num choque entre os dois e na saída de prova de ambos.

“Eu estava seguro do que aconteceu. Tenho a certeza que não causei nada. Fizeram-me sentir culpado”, defendeu-se o piloto australiano. Quem não gostou do combate de egos que acabou em desastre foi Horner, que aproveitou o documentário para deixar um recado aos seus pilotos: “São parecidos com um casal de burros por vezes. Na verdade, lidar com burros é mais fácil do que lidar com pilotos.”

As indecisões de Daniel Ricciardo sobre o futuro e a mudança ou não de equipa são outro dos problemas que confessam perante as câmaras.

As rivalidades e os segredos da F1 estão todos na nova série da Netflix
A rivalidade de colegas de equipa acabou em acidente

Pelo meio há ainda tempo para ver o esforço da Williams para tentar recuperar a posição e o destaque que teve noutros tempos, a luta da Haas pela afirmação no desporto e até mesmo a descoberta e aposta em quais serão os campeões do futuro que agora começam a mostrar-se.

O documentário termina na última prova do campeonato, o Grande Prémio de Abu Dhabi, onde é possível ver que a emoção dura até mesmo ao final da época. Depois de apurados os vencedores e vencidos quer para os pilotos quer para as marcas, começa um novo jogo: a dança das cadeiras em que os pilotos e as equipas negoceiam transferências estratégicas e começam a delinear os objetivos da temporada seguinte.

Depois desta, está já a ser negociada uma nova temporada da série, relativa à atual época. Agora, o foco passa para a tentativa de ter também a Mercedes e a Ferrari na produção.

Outros artigos de Atualidade

Últimos artigos da 4MEN