Barba e camisa

As botas portuguesas que estão a ajudar a reflorestar Portugal

O calçado da Walkest é desenhado em Amarante e por cada par que comprar, está a plantar um par de árvores.

Carlos Gonçalves teve uma ideia muito simples: aliar o seu amor pelo artesanato português de pequenos fornecedores da região e oficinas tradicionais, com a natureza que sempre rodeia a sua cidade natal, Amarante. “O meu pai é artesão há muito anos e fazia feiras de artesanato. Os brindes de viagens que recebia quando era miúdo eram quase sempre peças de artesanato das diferentes cidades”, explica o fundador da Walkest , a empresa de calçado que fundou em 2017. “E depois, Amarante… Quem conhece sabe que é uma cidade verdadeiramente dentro da natureza, a Serra do Marão toda à volta, o rio Tâmega a cortar pelo centro. A minha infância foi no meio destas coisas, gostava que as próximas gerações também tivessem essa oportunidade”.

E foi por isto que Carlos Gonçalves pôs mãos à obra. Em abril do de 2017 aproveitou o Jump Box – um programa de aceleração de competências e apoio ao empreendedorismo – para estruturar o modelo de negócio, o plano de marketing e consolidação do conceito da marca. Em Junho avançou para o desenho da bota, a prototipagem e os canais de venda. Só faltava o investimento inicial.

A solução passou por se fazer uma campanha de investimento coletivo online, o conhecido crowdfunding. A angariação de fundos esteve activa durante 45 dias e foi o suficiente para dar início à Walkest.

“A marca começou com investimento zero, cresceu à base de pré-encomendas online e donativos. Agora vamos crescendo à medida que vai chegando capital e que procuramos mais investimento. Já não queremos ser uma startup, mas sim uma scaleup”, ambiciona Carlos Gonçalves.

 

As botas Walkest, inteiramente pensadas, desenhadas e fabricadas em Portugal, têm também uma consciência ambiental. O forro e palmilha em pele recebem um tratamento vegetal que reduz a libertação de produtos tóxicos para o ambiente e diminuem a quantidade de água necessária no processamento típico do couro. Além disto, por cada par de botas vendidas, a Walkest compromete-se a plantar duas árvores de espécies autóctones em territórios cuidadosamente escolhidos pela associação Quercus.

“O protocolo com a Quercus surge para nos indicar as árvores correctas para cada região, para nos disponibilizar ferramentas e formação”, explica o empresário de 24 anos. Desta forma “a plantação tem um rendimento muito mais elevado, porque é feito nos terrenos certos com árvores certificadas”. A cada 175 pares de botas vendidas, a Walkest fará uma plantação oficial. A primeira já foi feia, precisamente nas encostas da Serra do Marão.

Cada par de botas vendido pela Walkest inclui, claro, as botas, mas também uma pulseira e as árvores que serão plantadas – tudo por 120€, sendo que pode escolher qual a sola de cada bota, couro ou borracha. No final de Janeiro serão lançadas três pulseiras e brevemente chegará também o calçado especial para o verão.

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