Barba e camisa

Fomos cortar o cabelo ao barbeiro de David Beckham

A Figaro’s Barbershop é onde o futebolista inglês corta o cabelo sempre que está a Lisboa. Fizemos o mesmo, mas continuamos a jogar mal com os dois pés.

"Queria um corte à Beckham, por favor."

O nome é inspirado no Barbeiro de Sevilha, uma ópera de Rossini, mas a barbearia fica no coração de Lisboa. Cruzar aquela porta no número 39 da Rua do Alecrim, no Cais do Sodré, é embarcar numa viagem ao tempo dos barbeiros americanos dos anos 30. Estamos na Figaro’s Barbershop, um espaço da capital que se tornou um ícone em pouco mais de três anos. Como? Graças à inspiração de Fábio Marques e ao empurrão de David Beckham.

Não foi carga de ombro, como canta Samuel Úria, essa é legal. Foi um valente empurrão – já vamos à história. O que devia ser ilegal era o penteado (se assim se pode chamar) do nosso informático, João Campos, que suspendeu a atividade na NiT e 4MEN para ser cobaia das tesouras de Fábio. Chegou com uma fotografia no telemóvel e pediu para ficar igual. Nem era preciso: aqui só há dois ou três cortes. Se quiser outra coisa, o melhor é procurar outro lugar.

O slogan à entrada diz tudo: “only classic, no shit”. Ou seja, esta podia ser a barbearia de Johnny Cash, Elvis Presley ou James Dean. Ou de um qualquer mafioso italiano de Nova Iorque. Porque o imaginário da velha américa sem lei está lá: homens de ar mal encarado, tesouras antigas, borrifadores em garrafas de Jack Daniels. Tudo bons rapazes, tatuados até ao pescoço, com o cabelos puxado para trás com brilhantina.

Fábio, o dono e o ideólogo da Figaro’s, diz que a imagem de João “necessita de um refresh”. Qualquer coisa que se assemelhe a um corte.

“Não tinha nenhum, era um cabelo sem forma. Pelo menos sem a forma de um clássico”, abrevia o barbeiro antes da estalar a tesoura para moldar o cabelo à fotografia. “Mais curto dos lados. A imagem não é de um clássico porque a parte lateral e de trás não estão conectadas com a parte de cima. Vamos fazer isto à maneira clássica, sem o chamado undercut”.

Tesoura puxa tesoura

Na Figaro’s trabalham seis barbeiros, cada um com a sua cadeira vintage e tesouras que fazem lembrar o senhor que cortava o cabelo ao nosso pai. A ideia é precisamente conservar uma certa nostalgia pelo que é antigo: ainda se usa pó de talco, borrifa-se o pescoço e a barba faz-se com toalha quente no rosto e lâmina na pele. Uma técnica antiga que permite um barbear mais suave e que nos oferece uma imagem incrível: no momento em que entramos pela primeira vez na Figaro’s, vimos três múmias recostadas nas cadeiras de ferro, cara enrolada numa toalha quente, com uma cerveja a descansar na mão. 

 

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