Bem-estar

Acha que é alérgico ou intolerante aos alimentos? Talvez esteja enganado, diz um estudo

Uma nova investigação conclui que a maioria das intolerâncias não são reais e que são muitas vezes confundidas com problemas digestivos.

Nos dias de hoje, quase todos os produtos trazem informação nutricional detalhada e alertas sobre possíveis alergénios, como os já habituais “sem glúten” ou “pode conter vestígios de frutos de casca rija”. O número de pessoas que sofrem de alergias alimentares e de intolerâncias tem aumentado. Mas será que isso corresponde à realidade? Um novo estudo conduzido pela Northwestern University, nos EUA, publicado a 4 de janeiro no JAMA, conclui que o número de adultos que pensa sofrer desse mal é quase o dobro daquele que realmente são intolerantes a certos alimentos. Na verdade, apenas 10.8% (o equivalente a um número superior a 26 milhões no país norte-americano) das pessoas têm uma verdadeira alergia deste género.

Para o estudo, os investigadores ainda lançaram um inquérito online e por telefone, ao qual mais de 40 mil adultos responderam. Aqueles que revelaram ter uma intolerância explicaram se era auto-atribuída ou diagnosticada pelos médicos. Os voluntários receberam uma lista de reações que correspondem uma verdadeira alergia, por exemplo, comichões, inchaço dos lábios ou língua. Verificou-se que apenas 10% das pessoas apresentaram alergias alimentares e as mais comuns estavam relacionadas com o consumo de marisco, leite e frutos de casca rija.

A investigação descobriu que cerca de 20% das pessoas acreditam que têm alergias alimentares, mas apenas metade dessa percentagem realmente teve reações alérgicas. Portanto, mesmo que o trabalho mostre que as alergias alimentares são comuns, não prevalecem tanto quanto se pensava.

Segundo a Academia Americana de Alergia, Asma e Imunologia (AAAAI) há pessoas que são intolerantes e outras que têm problemas gastrointestinais porque não conseguem digerir determinados alimentos.

Alergia versus indigestão

O facto de a parcela restante acreditar que tem uma complicação alimentar, não significa que não tenham um problema. Muitas revelaram sofrer de cólicas estomacais ou náuseas depois de comer determinado alimento. Por outro lado, “uma alergia ou intolerância envolve o sistema imunológico – o que é muito mais grave”, segundo revelou Purvi Parikh, imunologista da Allergy & Asthma Network à “Men’s Health“.

O médico explica ainda que “com uma alergia alimentar, o sistema imunológico cria anticorpos contra determinado alimento em particular e, se exposto a este, pode causar uma reação fatal; já uma intolerância é mais um efeito secundário após experimentar pela primeira um produto, mas não é necessário evitar essa comida”.

Para quem sofre de uma alergia alimentar, os sintomas mais comuns são as erupções cutâneas, comichões, inchaços, sentidas após terem comido determinado alimento, sublinhou ainda Parikh, ascrescentando que estes sintomas podem ser acompanhados de problemas respiratórios, espirros, náuseas, vómitos ou diarreia. Nesse caso, deverá consultar um imunologista certificado.

Há oito grupos alimentares que se destacam quanto à presença de alergénios: os cereais com glúten, ovos, leite de vaca, soja, castanhas, amendoim, peixes e frutos do mar. Estas fontes alimentares contribuem com 90% de todos os casos de alergias no mundo.

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