Bem-estar

Falar de futebol é a melhor forma de combater a demência (e a falta de memória)

Uma universidade espanhola criou um programa inovador para desacelerar o envelhecimento cognitivo.

Existem várias boas razões para falar de futebol. Esta poderá ser a melhor de todas: recordar jogos antigos desacelera a perda de memória em pessoas com Alzheimer e demência, segundo um estudo realizado pela Universidade Autónoma de Barcelona (UAB), em Espanha.

Sara Domènech Pou, investigadora da Fundação Saúde e Envelhecimento da UAB e que já tem vários trabalhos científicos na área da estimulação cognitiva, referiu ao diário espanhol “El País” que “a emoção é a última coisa que um paciente perde”. E esse foi precisamente o benefício que encontrou no futebol, porque reaviva alegrias e tristezas e tem a capacidade de reforçar a atividade mental e combater o esquecimento da memória, de forma terapêutica.

A cientista criou um programa inovador, onde junta um grupo de homens e mulheres com início de Alzheimer que partilham lembranças sobre as antigas glórias do Barcelona. O filho do falecido jogador húngaro László Kubala, um dos melhores da equipa catalã no seu tempo, foi mesmo convidado a estar presente para recordar os feitos do seu pai com os reformados.

María del Carmen Mañosa, de 75 anos, contou ao filho de Kubala os encontros casuais que teve com o seu pai pelas ruas de Barcelona. Relembrou o resultado 0-5 no Bernabéu, com Cruyff no Barça.

“Falar de futebol é como fazer ginástica mental. Faz com que nos relacionemos e nos juntemos com os mais jovens. Sempre pensei que as doenças como Alzheimer pode estar associadas à solidão. E não sei se não acabarei os meus dias numa residência”, sustentou a septuagenária durante uma das terapias.

Sara Pou já tem estudos que confirmam que relembrar determinado jogo, golo, tática, aquele treinador ou um jogador são estímulos importantes para avivar a memória.

“Falar sobre antigos jogos é o tipo de interação social que permite um envelhecimento ativo, que nos mantém autosuficientes, vivo”, conclui a investigadora.

Entretanto a revista desportiva “Líbero” entrou em contacto com Domènech Pou, da UAB, para criar uma parceria de onde surgiu o projeto “Fútbol Vs. Alzheimer”. A publicação planeia ter uma edição especial dedicada à doença, onde os doentes poderão criar a própria revista. A “Líbero” também deixou à disposição da UAB material de arquivo para que possa ser usado como ferramenta em terapias com pacientes.

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