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André Gomes: “Não falo com ninguém. Sinto-me envergonhado”

Em entrevista à revista “Panenka”, o médio fala sobre as críticas e a pressão de jogar no Barcelona e confessa que por vezes não sai de casa “por vergonha”.

Brilhar na Liga Espanhola e ser contratado pelo Barcelona é um feito que poucos jovens futebolistas podem sequer ambicionar. O sonho tornou-se realidade para André Gomes, mas a felicidade parece ter sido efémera. Em entrevista à revista “Panenka” publicada esta segunda-feira, 12 de março, o médio português confessou-se e explicou como é que tem tentado lidar com a pressão e as críticas duras de adeptos e imprensa às suas exibições. Principalmente depois dos assobios que ouviu no último encontro em Camp Nou, frente ao Atlético de Madrid, onde entrou para o lugar do lesionado Iniesta.

“Quando treino estou tranquilo. Claro que há um dia ou outro em que eu estou um pouco em baixo, com pouca confiança, mesmo nos treinos acontece. Uma pessoa sabe que está a sofrer. Talvez por ter jogado um dia ou dois dias antes e ainda esteja com a imagem do jogo na cabeça, não consigo seguir em frente. Mas geralmente nos treinos sinto-me à vontade com meus companheiros. O problema é que as sensações que eu tenho nos jogos é má”, conta.

O apoio dos seus colegas tem sido fundamental para o jogador de 24 anos se manter motivado e os treinadores também lhe têm dado confiança. O problema é sobretudo mental, confessa o próprio, ao revelar que “pensa demasiado e que isso lhe faz mal”. As críticas que vai recebendo do público têm feito com que se feche sobre o assunto e que não saia de casa por vergonha.

“Ainda que os meus companheiros me apoiem bastante, as coisas não saem como eu quero. Fecho-me. Não mostro aos outros a frustração que tenho. Então, não falo com ninguém. Sinto-me envergonhado. Já aconteceu mais do que uma vez não querer sair de casa. O facto de as pessoas te poderem ver e terem uma opinião sobre ti. Tenho medo de sair à rua por sentir vergonha da situação que vivo”.

Contratado em 2016 ao Valência por 30 milhões de euros, o português parecia ter concretizado o sonho de todos os miúdos que adoram futebol. “Os primeiros seis meses foram bastante tranquilos, com o meu tempo de adaptação, os meus companheiros, foi espetacular, mas a partir daí as coisas mudaram um pouco. A palavra não é a mais correta, mas é um pouco como um inferno. Comecei a sentir mais pressão, mas com a pressão vivo bem, com o que não vivo bem é a pressão que coloco em mim”.

André Gomes revela que está a trabalhar para resolver a situação, apesar de não se tratar de uma tarefa fácil: “Estou a trabalhar fisicamente e a nível mental para ultrapassar essa barreira porque quero ser eu mesmo, que as pessoas me conheçam em Espanha, em Portugal e que saibam o que consigo fazer. O que muitas vezes me chateia, no bom sentido, é que as pessoas digam ‘tu podes fazer mais coisas boas’ e eu pergunto-me: ‘porque é que não as faço?’”.

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