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De Anfield a Belgrado: descubra as bancadas temíveis que põem os adversários a tremer

Eles cantam, gritam e assustam até os próprios jogadores.

Quando os responsáveis do Everton decidiram avançar para a construção do novo estádio, tinham uma ideia em mente: replicar a famosa Parede Amarela de Dortmund. Nada acontece por acaso. É sabido que o fator casa e o poder de uma bancada cheia de adeptos fervorosos pode ajudar uma equipa a virar um resultado. Os ingleses sabem-no e no que toca a poder visual e vocal, poucas bancadas no mundo se comparam à dos alemães do Borussia.

Há, contudo, vários concorrentes ao título da bancada mais imponente do futebol. Em Inglaterra, não há ponta de lança que não sinta um formigueiro na espinha quando tem que enfrentar o Kop, o famoso topo vermelho de Anfield, a casa do Liverpool. Da Grécia à Sérvia, passando pela Alemanha e Itália, estas são as bancadas que deve visitar, pelo menos uma vez na vida.

Curva Sud,  San Siro (AC Milan)

Uma das maiores rivalidades no futebol europeu junta os dois clubes no mesmo estádio. Neste caso, a bancada Curva Sud (sul) está reservada para os adeptos da equipa sete vezes campeã europeia.

A curva tornou-se célebre devido a dois grandes grupos de apoiantes do clube de Milão: a Fossa Dei Leoni que se estabeleceu em San Siro em 1968 e a Brigata Rossonera uns anos mais tarde. Hoje, ainda é possível ver a bandeira deste último grupo de ultras na Curva Sud. A Fossa terminou em 2005, após alguns membros terem sido associados à máfia italiana. Nesta bancada é costume ver os ultras do Milan a incentivarem a equipa, entre coreografias enormes, cartazes criativos, bandeiras, e, claro, cânticos e gritos.

Stretford End, Old Trafford (Manchester United)

O mítico Teatro dos Sonhos, por onde já passaram alguns dos maiores jogadores de todos os tempos, tem uma das bancadas mais imponentes do mundo. Só na bancada oeste, cujo nome é uma referência à cidade de Stretford, nos subúrbios de Manchester, cabem 20 mil adeptos.

Foi criada nos tempos em que os adeptos ficavam de pé em Old Trafford, tendo sido demolida em 1992 para cumprir as regras da Premier League, que obrigava os clubes a terem lugares sentados. Assim, o nome foi mudado para West Stand, mas o nome ainda lá está e é ali que os adeptos mais fervorosos continuam a apoiar entusiasticamente a equipa.

É também ali que está a estátua de Denis Law, futebolista do clube que foi apelidado de Rei de Stretford End.

Spion Kop, Anfield (Liverpool)

Quem gosta de futebol, já terá ter ouvido “You’ll Never Walk Alone”, uma música composta por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II em 1945, que se transformou no hino emotivo do Liverpool – e de muitas outras equipas.

As notas saem sempre mais altas de uma das bancadas do estádio, a famosa Spion Kop, onde os 12 mil lugares estão invariavelmente ocupados.

O nome é bastante comum no estádios ingleses. Em 1900 durante a Segunda Guerra dos Boers, o exército britânico lutava pelo controlo de uma colónia que é hoje conhecida como África do Sul. Durante a batalha, 300 ingleses morreram a tentar capturar uma zona chamada Spion Copa, sendo que muitos eram de Liverpool. Nesse ano, os reds venceram o seu primeiro campeonato.

Cinco anos depois, o clube estava a construir uma nova bancada em Anfield, sendo que o editor de desporto do “Liverpool Daily Post and Echo” da época, Ernest Edwards, ao ver o espaço, rapidamente o batizou de Spion Kop como homenagem aos perderam a vida na batalha.

Peluza Catalin Hildan, Dinamo Stadium (Dínamo de Bucareste)

Um dos maiores e mais loucos grupos de adeptos está Bucareste, na Roménia. No Dinamo Stadium, a bancada norte é conhecida por Peluza Catalin Hildan, em homenagem ao antigo capitão Catalin Hildan, que morreu durante um amigável em 2000 com apenas 24 anos. É ali que moram, desde 1996, os Nova Guardia, um fervoroso grupo de ultras.

Os adeptos têm uma música dedicada ao antigo capitão que é cantada todos os jogos da equipa.

Gate 13, Apostolos Nikolaidis Stadium (Panathinaikos)

Costuma dizer-se que o clima vivido nos jogos na Grécia é o mais selvagem de toda a Europa. Os adeptos do Panathinaikos são dos mais fervoroso do país e há quem diga que são a claque mais barulhenta em toda a Grécia.

O Gate 13 é o nome dado aos ultras do Pana, que foi criado em 1966 e, portanto, a mais antiga do país. O nome é uma referência ao portão de entrada número 13, onde os adeptos do Panathinaikos se reuniam sempre antes dos jogos.

Parede Amarela, Signal Iduna Park (Borussia Dortmund)

O Borussia de Dortmund além de ser o estádio com melhor taxa de ocupação de toda a Europa – e o estádio leva 80 mil adeptos – tem uma das maiores claques do mundo.

Ainda que esteja praticamente sempre cheio, é impossível não destacar a famosa Parede Amarela, um autêntico muro pintado com as cores do clube por 25 mil adeptos. É a maior bancada livre sem cadeiras do mundo. Tem 100 metros de largura e 40 de altura, com uma inclinação de 37 graus.

“Se fores o inimigo, eles destroem-te, mas se os tiveres nas tuas costas como guarda-redes, é incrível”, afirma Roman Weidenfeller, um dos guardiões do clube. “Fico com pele de galinha sempre que os ouço. Somos uns felizardos por ter uma bancada destas”,destacou Marcel Schmelzer, um dos capitães do Dortmund.

Aqui também se canta a “You’ll Never Walk Alone”. Para os adversários, este muro pode ser um autêntico pesadelo. Esta ideia é defendida por Bastian Schweinsteiger, médio alemão que jogou 12 anos na equipa principal do Bayern de Munique: “É da Parede Amarela que mais tenho medo”.

The South, Partizan Stadium (Partizan Belgrado)

No estádio do Partizan Stadium, a bancada sul é a casa dos Grobari, os ultras do clube sérvio e um dos maiores grupos de apoiantes no sudeste europeu. Foram criados em 1970 e ainda hoje se mantêm na The South.

Em 2007-08, o Partizan foi desqualificado na Taça UEFA devido a atos de vandalismo e agressões à polícia e aos adeptos do Zrinjski Mostar, da Croácia. Três anos depois, deu-se uma divisão entre os Grobari. Uma facção de adeptos acusou os líderes da claque de lhes negarem a entrada no Partizan Stadium. Mas nem por isso o ambiente no topo deixou de ser absolutamente louco.

Jock Stein Stand, Celtic Park (Celtic Glasgow)

Por falar em “You´ll Never Walk Alone”, este é mais um estádio onde a música é entoada. E os escoceses gabam-se de terem sido os primeiros a fazê-lo. Em dias de Old Firm, o velho dérbi com o Glasgow Rangers, o ambiente é intenso, mas nem por isso esmorece nos restantes jogos.

No Celtic Park, que tem capacidade para 60 mil pessoas, há uma bancada que suporta 13 mil adeptos, batizada em honra de Jock Stein, o primeiro treinador a trazer uma Taça dos Clubes Campeões Europeus para o Reino Unido, graças à vitória frente ao AC Milan, em Lisboa.

Nessa época, Stein venceu tudo pelos escoceses e acabaria por se tornar o treinador que conseguiu conquistar o título do campeonato por nove vezes consecutivas.

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