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Bibras Natcho: o capitão de Israel que é muçulmano – e que recusa cantar o hino

O jogador do CSKA de Moscovo é o primeiro não-judeu a liderar a equipa e a sua presença está a gerar polémica.

Quando Israel e Roménia se encontraram para um jogo particular no passado 24 de março, poucos estavam preocupados com o resultado final da partida. No alinhamento das equipas e no momento de cantar os hinos, um jogador não acompanhou os colegas. Esse jogador foi Bibras Natcho que, pela primeira vez na sua carreira, envergou a braçadeira de capitão. A situação torna-se ainda mais insólita se tivermos em conta que o médio do CSKA de Moscovo é também o primeiro muçulmano a ter essa honra.

Foi um momento emocionante para Natcho, que concretizou finalmente o antigo sonho do pai de o ver liderar a equipa israelita. A tarefa nunca pareceu ser fácil de concretizar. O jogador de 30 anos nasceu na pequena cidade de Kafr Kama, no norte do país, mas tem ascendência circassiana – um grupo ético com origem no Cáucaso e cuja maioria da população vive na Rússia e na Turquia, apesar de haver uma comunicade significativa no Médio Oriente. Estima-se que vivam cerca de cinco mil em Israel.

A antecipar o encontro do seu atual clube com o Arsenal, esta quinta-feira, 5 de abril, para os quartos de final da Liga Europa, Natcho revelou ao jornal britânico The Independent que “ser capitão é importante para a comunidade” circassiana.

A comunidade judaica continua a representar a esmagadora maioria da população em Israel e isso reflete-se na equipa. Natcho é um dos poucos muçulmanos, a par de Beram Kayal, Taleb Tawatha e Dia Saba. Só que o médio quebrou mais uma barreira ao ser eleito como capitão de equipa.

“Somos um grupo unido. Não destacamos as diferenças religiosas. Os meus colegas felicitaram-me e desejaram-me boa sorte. Eu não sei o que cada um deles está a sentir, mas é óbvio que fizemos história. O teto de vidro foi quebrado e estou certo que todos que acreditam numa coexistência pacífica entre culturas e religiões estão felizes por ver judeus, muçulmanos ou cristãos a darem-se bem”, explica ao diário inglês.

Nem todos estão satisfeitos com a responsabilidade de Natcho. O antigo jogador israelita Eyal Berkovic refere que o capitão da seleção deve cantar o Hatikvah, o hino nacional com referências judaicas e que quem se recusa a fazê-lo não deve usar a braçadeira.

“Essas pessoas não me afetam. Só querem ganhar publicidade e atenção. É triste ver que estão a tentar destruir o nosso belo país, mas temos de viver com isso. Todos podem dizer o que quiserem. Não temos de ouvir”, comenta Natcho.

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