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Cavani: nem as polémicas param o melhor marcador da história do PSG

Apesar dos problemas com Neymar e o treinador Unai Emery, o uruguaio conquistou mesmo um lugar na história do clube francês.

Neymar pode ser o jogador mais mediático do PSG mas o brasileiro não joga sozinho e há outras estrelas que continuam a brilhar nos franceses. A primeira de todas chama-se Edinson Cavani, que acaba de se tornar no melhor marcador na história do clube com 157 golos, ultrapassando Zlatan Ibrahimovic. E entretanto já juntou mais um golo à lista, somando 158. Refira-se que o português Pauleta fecha o pódio com 109 golos.

“Estava ansioso que este dia chegasse. Depois de ter marcado veio-me à cabeça o caminho que percorri até chegar. O que me deixou mais surpreendido foi a reação de alguns companheiros de equipa e dos adeptos. Senti uma conexão total com todos, o que me deixou muito feliz”, confessou em entrevista ao jornal espanhol “Marca”. E se só forem contabilizados os golos desta temporada, o uruguaio já leva 27 marcados.

Curiosamente, o recorde de Cavani poderia ter chegado alguns dias mais cedo, na goleada por 8-0 diante do Dijon, não fosse o brasileiro Neymar ter insistido em marcar o penálti que lhe deu o quarto golo nessa partida, o que lhe valeu uma enorme assobiadela dos adeptos presentes no Parque dos Príncipes. Nada de novo, até porque os dois têm chocado várias vezes devido à marcação de grandes penalidades.

Em novembro, depois de Cavani sofrer falta, houve alguma tensão entre os dois, mas acabou por ser o uruguaio a marcar. Pior: acabou mesmo por falhar o alvo. Mas a situação que mais deu que falar aconteceu em setembro, no jogo frente ao Lyon. Após a grande penalidade assinalada por falta sobre Mbappé, Cavani posicionou-se para rematar, mas Neymar aproximou-se com a clara intenção de ser ele a fazê-lo. Acabou por ser Daniel Alves a entregar a bola ao compatriota, mas Cavani, fazendo valer o seu estatuto (está há cinco anos no clube e Neymar tinha acabado de chegar) não deixou e pegou na bola, enquanto internacional canarinho se afastou com ar de desagrado. Para azar, Cavani acabou por desperdiçar a grande penalidade. No final do jogo, a imprensa revelou que se não fossem os colegas a separá-los, ter-se-iam agredido no balneário.

Para resolver o problema, o presidente Paris Saint-Germain, Nasser Al-Khelaifi, terá feito uma proposta bizarra ao oferecer um milhão de euros a Cavani para ceder a Neymar a marcação dos penáltis. O uruguaio recusou e, segundo consta, não ficou nada satisfeito.

O avançado não se esquivou a falar sobre a polémica com o seu companheiro de equipa. “São coisas do futebol, às vezes não são tão graves quanto parecem e são resolvidas no balneário, como aconteceu. O importante é todos lutarmos pelo mesmo objetivo e não é preciso sermos todos amigos, desde que nos respeitemos”, afirmou em entrevista ao jornal do seu país “Ovacion”.

 

De acordo com alguns órgãos de comunicação social franceses, existe uma divisão clara no plantel dos parisienses, fomentada pelos seus dois principais líderes, Thiago Silva e Cavani. O primeiro comanda o grupo dos brasileiros, onde estão ainda Daniel Alves, Neymar e Marquinhos; já Cavani conta com o apoio da maioria do restante plantel.

Entretanto, a relação entre Cavani e o treinador Unai Emery também já terá visto melhores dias. O avançado, tal como o médio Pastore, atrasou-se dois dias no regresso das férias do Natal e além de ter sido multado, ficou de fora nos dois jogos seguintes, algo que não lhe agradou mesmo nada, nem o facto do técnico não ter falado com ele sobre esta penalização, depois de ter publicamente garantido que o faria: “Vamos ver quais são os argumentos dos dois futebolistas. Quando chegarem, falarei com eles individualmente, e o clube também e veremos o que acontece”.

Quem se apressou a criticar os jogadores foi Thiago Silva. “Este é um momento muito importante para o clube e devemos estar unidos. A verdade é que Cavani e Pastore fizeram coisas que não são boas nem para o grupo nem para o clube. Devemos refletir antes de fazer essas coisas”, sublinhou.

Outro dado que poderá eventualmente contribuir para alguma tensão entre Neymar e Cavani é a grande diferença de salários. O brasileiro ganha 3 milhões de euros brutos por mês e o uruguaio fica-se pelos 1,5 milhões de euros brutos, o mesmo valor que é pago a Mbappé. Ou seja, Neymar ganha o mesmo do que os outros dois atacantes juntos.

Estas divisões internas não têm impedido o PSG de liderar confortavelmente o campeonato com 18 pontos de avanço sobre o Mónaco, o segundo classificado. Uma boa performance, aliada à presença nos oitavos de final da Liga dos Campeões, onde irá defrontar o Real Madrid, vencedor das duas últimas edições e de três das últimas quatro.

Cavani será certamente uma das principais armas dos franceses no jogo desta quarta-feira, no Santiago Bernabéu. O uruguaio, autor de seis golos nesta edição da Champions, reconhece que Cristiano Ronaldo é o inimigo número 1 do PSG. “Falta de golos? Sim, mas isso certamente não o deixa desconfortável, basta ver a sua autoconfiança. Até porque para um avançado, as coisas mudam de um momento para o outro e a motivação aparece em alta num jogo como este”, sublinhou. E tinha razão, pois as coisas mudaram mesmo, uma vez que CR7 fez o seu primeiro hat-trick da temporada na vitória diante da Real Sociedad por 5-2.

Na mesma entrevista, Cavani confessou um sonho. “Falta-me marcar um golo de pontapé de bicicleta. Gostaria de o concretizar num jogo em que o clube consiga um título muito importante, quem sabe na final da Liga dos Campeões”. Mas para lá chegar, o primeiro obstáculo é uma velha raposa chamada Real Madrid, o clube mais titulado da competição, com 12 títulos, enquanto o PSG ainda procura o primeiro troféu e nunca pareceu reunir tantas condições para o fazer como agora.

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