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Disseram-lhes que não podiam vencer. Eles foram campeões

Geraint Thomas veio do nada para vencer o Tour. Uma história incrível que não é única no desporto.

Geraint Thomas tinha 32 anos à partida para a Volta a França. Era um dos aguadeiros e ciclistas da linha secundária da sua equipa. A sua função era a de apoiar o grande candidato ao título Chris Froome. Ninguém esperava mais do que isso de um homem que havia nascido e crescido no País de Gales, uma zona sem grandes tradições neste desporto. No currículo trazia duas vitórias na modesta Volta ao Algarve e um momento de estrelato na vitória da Dauphiné Libéré.

A verdade é que um mês depois, o mundo rendeu-se a Thomas. O mundo e Chris Froome, que engoliu o orgulho e assumiu a troca de papéis na equipa da Sky. No final, foi ele quem ajudou o galês a pedalar para o pódio de Paris.

Quem não gosta de uma boa história de vitórias improváveis? De um David contra Golias, do underdog que bate os até então invencíveis. O desporto está cheio de histórias improváveis. A de Geraint Thomas é uma delas, mas há muitas outras para contar – e para recordar.

Um campeão do mundo de ciclismo à portuguesa

O ciclismo é pródigo em histórias incríveis de superação. Antes de Geraint Thomas chocar toda a gente no tour, já um português havia surpreendido o mundo.

Em 2013, o português corria pela equipa espanhola da Movistar na principal divisão Mundial. À exceção de alguns pódios de Joaquim Agostinho na Volta a Espanha e Volta a França nos anos 70, Portugal era e é um país sem grande história na modalidade.

Ter Costa como terceiro chefe de fila de uma das maiores equipas do mundo, atrás de Alejandro Valverde e Nairo Quintana era, por si só, um privilégio e um orgulho.

Durante o Campeonato do Mundo de Ciclismo, em Florença, Rui Costa sentia-se bem e foi capaz de acompanhar o pelotão dos candidatos à vitória. Ainda assim, na última grande subida, sentiu muitas dificuldades, com o comentador britânico a frisar aquilo que parecia óbvio para todos os que assistiam à corrida: “Ele não tem pernas”.

Numa reviravolta absolutamente impressionante, o ciclista português não teve pernas para a subida como ainda se deu ao luxo de atacar. Para trás ficou o colega Valverde. Rapidamente alcançou o líder, o espanhol Rodriguez, que ultrapassou para vencer, pela primeira e única vez, o Campeonato do Mundo.

De eliminados a campeões europeus

Uma das vitórias mais impressionantes da história do futebol começou com um acontecimento trágico. Em 1992, a instabilidade política tomava conta dos Balcãs e a fratura iminente da Jugoslávia obrigou à retirada da equipa da lista de participantes do Euro desse ano. O posto ficava, assim, entregue à equipa que se lhe seguiu no grupo de qualificação, a Dinamarca.

Muitos dos craques – entre eles Peter Schmeichel, Brian Laudrup e Flemming Povlsen – já estavam de férias. O dever chamou-os, pegaram nos equipamentos e viajaram rumo à Suécia.

Sem pressão, até porque a equipa chegava à competição sem qualquer preparação, a seleção dinamarquesa começou a somar vitórias. De repente, os dinamarqueses venciam a Holanda na meia-final e estavam prestes a disputar o troféu com a Alemanha.

Até então, nas oito edições anteriores, o melhor resultado alcançado pela Dinamarca havia sido um quarto lugar em 1964. À quinta, foi mesmo de vez. Um golo aos 18 minutos, outro aos 78 e a equipa de Illgner, Sammer, Effenberg e Klinsmann saía derrotada pelos homens que deixaram as espreguiçadeiras para dar uma lição de futebol à Europa.

O ano em que o Boavista se transformou em Boavistão

O bug do ano 2000 não colocou a sociedade mundial à beira de um colapso, mas algo se passou no futebol português nesse ano de início de século. Até então, só quatro clubes portugueses haviam ganho o título nacional: os três grandes e um intruso Belenenses, que chocou toda a gente com uma vitória no ano longínquo de 1946.

Com uma Taça de Portugal conquistada em 1997, não era fácil encontrar troféus no museu do Bessa. Um segundo lugar no ano anterior parecia ser já um bom prémio de consolação para a equipa do Porto.

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