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O escândalo que manchou o título europeu do Marselha

Um jogo viciado frente ao modesto Valenciennes foi suficiente para atirar o clube para a segunda divisão e manchar a vitória na Liga dos Campeões – e também o pentacampeonato francês.

Quando o médio de 27 anos do Marselha Jean-Jacques Eydelie foi convidado para uma festa no iate do presidente Bernard Tapie, rapidamente percebeu o que o empresário francês queria. “É imperativo que fales com os teus ex-colegas do Nantes que estão no Valenciennes. Não queremos que eles se portem como uns idiotas e dêem cabo de nós antes da final”.

Essa final disputada precisamente há 25 anos transformou-se numa das datas históricas do clube francês. O Olympique conquistou o seu primeiro título de campeão europeu e Didier Deschamps levantou a taça. Depois, veio a desgraça e um escândalo do qual o OM ainda não recuperou. Um quarto de século depois, os franceses podem voltar a ganhar uma competição europeia, na final da Liga Europa que se joga esta quarta-feira, 16 de maio, frente ao Atlético de Madrid.

O todo poderoso presidente Bernard Tapie tomou conta do clube em 1986, dois anos depois de um regresso difícil à primeira divisão. Com ele vieram estrelas como Jean-Pierre Papin, Abedi Pelé, Didier Deschamps, Rudi Voller ou Éric Cantona. Entre 1989 e 1993 vence cinco campeonatos consecutivos.

De 1988 a 1993, o Marselha dominou o futebol francês e conquistou cinco campeonatos consecutivos. A equipa parecia imbatível e a chegada à final da Liga dos Campeões no ano do penta parecia uma conclusão lógica do talento de uma equipa com Desailly, Angloma, Deschamps ou Rudi Voller. Uma vitória por 1-0 bastou para vencer o Milão e fazer história na conquista do primeiro título europeu do clube.

Só que a bela história dos marselheses começou a desmoronar-se nas semanas seguintes, tudo por culpa do plano que Tapie e Eydelie iniciaram nessa festa no iate do presidente. A tática era simples: obrigados a jogar com o Valenciennes para o campeonato a seis dias da grande final, o objetivo passava por comprar os jogadores da pequena equipa, para que facilitassem a tarefa – e não lesionassem ninguém.

Os escolhidos foram Jacques Glassmann, Jorge Burruchaga e Christophe Robert, que deveriam ser contactados por Eydelie. O Marselha acabou por vencer por 1-0, num jogo valioso para a conquista do penta.

Nessa altura, surgiram também acusações de fraude fiscal e meses mais tarde, foi encontrado dinheiro no quintal da tia de Robert e a justiça não perdoou: a Federação Francesa de Futebol mandou o clube novamente para a segunda divisão.

O Marselha perdeu também a possibilidade de disputar a Supertaça de França, a Liga dos Campeões, a Supertaça Europeia e a Taça Intercontinental.

O caminho até à final também não ficou totalmente limpo. Começaram a surgir rumores de que as bebidas dos jogadores do CSKA de Moscovo – que na fase de grupos venceram por 1-0 em casa e foram humilhados no Velodrome por 6-0 – teriam sido adulteradas. Mark Hateley, jogador do Rangers que, nessa época, disputou o grupo com o Marselha, revelou em 2011 que recebeu dinheiro para faltar ao jogo da segunda mão.

Bernard Tapie a festejar a vitória de 19993 com os jogadores

O caminho até à final desta temporada tem sido mais pacífico. Apesar do segundo lugar no Grupo I atrás do Red Bull Salzburg – equipa que eliminou nas meias-finais – ultrapassou o SC Braga, o Athletic de Bilbao e o RB Leipzig antes de defrontar os austríacos. Agora, falta ultrapassar o último obstáculo: o Atlético de Diego Simeone. Se o conseguirem, os marselheses voltam à glória, 25 anos depois do último levantar de taça europeu. Desta vez, e até ver, sem polémicas.

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