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Especialista diz que é preciso acabar com os cabeceamentos no futebol

Bennet Omalu, o patologista que provou a ligação entre a encefalopatia e o futebol norte-americano, revela que o futebol pode sofrer do mesmo problema. E sugere que se mudem as regras.

Em 2008, Cristiano Ronaldo lançou o Manchester United à conquista da Champions com um cabeceamento violento nas alturas que por pouco não furou as redes da Roma. Esse pode ser um golo que dificilmente se repetirá, isto se as instituições que regulam o futebol derem a devida atenção aos conselhos de Bennet Omalu, o famoso patologista responsável pela ligação da Encefalopatia Traumática Crónica ao futebol americano.

“Não faz sentido tentar controlar com a cabeça um objeto que viaja a alta velocidade. Acredito que eventualmente teremos que restringir o cabeceamento de bolas ao nível profissional. É perigoso”, revelou em entrevista à BBC Radio 5 o médico nigeriano com cidadania norte-americana.

Nos últimos anos têm sido relatados vários casos de mortes de ex-jogadores de futebol relacionadas com problemas cerebrais, sejam eles traumáticos ou mais ligados à demência e degeneração. Questionado sobre o tema, Omalu não tem dúvidas: “Miúdos com idadades abaixo dos 12 e 14 anos deveriam jogar uma versão do futebol com menos contacto. Dos 12 aos 18, podem fazê-lo normalmente, mas sem recorrer a cabeceamentos”.

Omalu não é um desconhecido. Em 2015, Will Smith foi escolhido para assumir o seu papel em “A Força da Vontade”, uma grande produção de Hollywood que relatou a dura luta do patologista contra uma das maiores instituições desportivas dos EUA, a NFL. Essa é ainda, aliás, uma das grandes vitórias do médico.

Bennet Omalu é um dos maiores especialistas mundiais no tema

A autópsia feita ao antigo jogador de futebol norte-americano dos Steeler, Mike Webster, feita em 2002, revelou indício de uma condição até então conhecida como Demência do Pugilista – precisamente por estar associada a problemas cerebrais desenvolvidos por antigos pugilistas e comprovadamente provocados pelas repetidas lesões traumáticas no cérebro.

Os estudos que duraram cerca de três anos resultaram na publicação de uma conclusão que fez tremer a NFL. “A Encefalopatia Traumática Crónica num jogador da NFL” provou as ligações das doenças degenerativas do cérebro às lesões sofridas pelos jogadores profissionais da primeira liga norte-americana. Apesar de a NFL ter resistido às críticas e refutado as conclusões, acabou por ceder e reconhecer que havia algo a fazer nesse sentido.

Apesar de o futebol nascido na Europa ser menos propenso ao contacto físico violento do desporto norte-americano, Omalu não tem dúvidas de que os cabeceamentos no futebol podem ter o mesmo impacto no cérebro dos futebolistas.

“O cérebro humano flutua como um balão dentro do crânio. Quando cabeceamos uma bola, sofremos lesões cerebrais. E jogar futebol aumenta o risco de sofrer de danos cerebrais quando nos tornamos mais velhos, mas também a possibilidade de desenvolver demência e ETC”, concluiu.

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