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Estas estrelas não foram convocadas para o Mundial — e isso é uma tragédia

Só cabem 23, mas qualquer equipa gostava de os ter. Há dois portugueses na lista.

A poucos dias do arranque do Campeonato do Mundo, a ansiedade começa a invadir as mentes de milhões de homens, mulheres e papagaios em todo o mundo. 736 jogadores de futebol já estão a caminho da Rússia, distribuídos por 32 seleções. 

Como costuma acontecer, os selecionadores escolherem os jogadores que pensam que estão em melhores condições para representarem o seu país. A FIFA só autoriza 23, o que significa que muitas das estrelas favoritas dos adeptos ficaram de fora. 

Não é exagero dizer que metade do mundo ainda acorda com pesadelos quando pensa que Leroy Sané, da Alemanha, Radja Nainggolan, da Bélgica, ou Rúben Neves ,em Portugal, não foram convocados. É a vida, vamos dizendo para nós — a alternativa é insultar os treinadores, o que não é nada simpático.

A 4MEN analisou minuciosamente as convocatórias deste Mundial e, na pele do mais fervoroso adepto, aponta o dedo aos selecionadores nacionais.

Leroy Sané

É, talvez, a ausência mais surpreendente. O avançado do Manchester City fez uma época extraordinária – foi campeão, esteve em 49 jogos, marcou 14 golos e fez 19 assistências – comparativamente às opções de Joachim Low para o mesmo lugar, como Julian Brandt, Marco Reus ou Julian Draxler. Mas o melhor jogador jovem da Premier League da última temporada, ao serviço da “Mannschaft”, não terá rendido o mesmo.

“Leroy Sané tem grande talento e voltará a trabalhar connosco a partir de setembro. Vamos fortalecer o nosso trabalho com ele, mas ele não deu tudo o que podia em todos os jogos na seleção”, afirmou Low. Mats Hummels, defesa alemão, foi mais longe e afirmou que Sané não está ao nível de outros jogadores.

“Ele não está no mesmo patamar que Ozil ou Muller. Às vezes leva tempo para ter a mesma posição do clube na seleção nacional. É notório que esses miúdos que vêm dos juniores são diferentes dos de há dez, 12 anos. Essa é a nova geração. Eles são caracterizados por ter um comportamento diferente”.

Já o antigo internacional germânico Michael Ballack pensa que “havia espaço para ele na convocatória, mesmo que Sane não tenha jogado da mesma forma que mostrou no City”.

Mauro Icardi

A Argentina tem Lionel Messi, Kun Aguero ou Gonzalo Higuaín para os golos. Jorge Sampaoli pelo menos teve o bom senso de chamar Paulo Dybala, mas deixou de fora o melhor marcador da liga italiana do último ano, em igualdade com Ciro Immobile.

Mauro Icardi pode ser algo temperamental, mas o capitão do Inter de Milão teve uma época mais produtiva do que Cristian Pavón, avançado do Boca Juniors: 29 golos em 36 jogos contra sete em 33. Além disso, não se pode comparar a Série A com o campeonato argentino.

A imprensa atribuiu a ausência, entre outros motivos, a Wanda Nara, a mulher de Icardi. É que a modelo envolveu-se com o ponta-de-lança quando ainda era casada com Maxi López, um jogador próximo de alguns dos convocados como Messi ou Mascherano, que têm estatuto na equipa.

Alex Sandro

O Brasil tem um super lateral esquerdo que joga em Espanha há mais de uma década. Sim, estamos a falar de Marcelo, naturalmente convocado. Mas e as alternativas? Tite escolheu Filipe Luís, do Atlético de Madrid.

O selecionador brasileiro deixou de fora Alex Sandro, que tem sido dos melhores jogadores da Juventus nos últimos três anos. Mais consistente a atacar do que o jogador dos espanhóis, Tite terá privilegiado uma alternativa mais defensiva, mas que chega à Rússia com menos jogos nas pernas (28 contra 39) e uma época algo intermitente.

Alexandre Lacazette

Alexandre Lacazette fez carreira no Olympique de Lyon, antes do Arsenal ter avançado para a sua contratação no começo desta temporada. O gaulês teve um rendimento um pouco abaixo do esperado, mas ainda assim superior a Olivier Giroud, que deixou os “gunners” para representar o Chelsea a partir de janeiro de 2018 (17 golos contra cinco, respetivamente).

Didier Deschamps tem opções de peso para o ataque francês: Griezmann, Mbppé, Dembélé (que passou grande parte da época lesionado) ou Thauvin, mas nenhum é ponta de lança como Lacazette. Ou seja, em caso de lesão de Giroud, a coisa pode complicar um pouco se a necessidade de marcar golos falar mais alto.

Cesc Fàbregas

É difícil dizer onde é que o jogador do Chelsea poderia encaixar em Espanha, no onze titular. Julen Lopetegui preferiu levar Koke e Saúl Ñíguez, mas nenhum deles tem a experiência do médio que fez o passe para o golo que deu o triunfo espanhol em 2010, na África do Sul, nem concretiza a posição de médio mais recuado caso Sergio Busquets não esteja presente.

Fàbregas pode não ter revalidado o título de campeão com o Chelsea, mas para uma competição destas, a sua presença faria sentido.

Radja Nainggolan

Não há outra maneira de o dizer: é um crime Radja Nainggolan estar ausente dos convocados da Bélgica. O médio da AS Roma é dos jogadores mais influentes da seleção europeia e do conjunto italiano há muitos anos, além de ser dos mais experientes. O belga esteve presente no Euro 2016 e foi dos melhores da formação. É bastante comum vê-lo a espalhar intensidade e disparar remates fortíssimos.

A mudança de treinador terá sido decisiva (saiu Marc Wilmots, entrou Roberto Martínez). Ainda assim, Nainggolan mantém níveis de regularidade elevados na Série A, uma competição que não é, por exemplo, a China (Axel Witsel, esta foi para ti).

Chris Smalling

O central é um dos capitães do Manchester United e um dos habituais da seleção inglesa, pelo menos até à chegada de Gareth Southgate. Ainda assim,o defesa inglês não foi convocado para o Mundial, apesar de ter feito quase o dobro de jogos do seu colega nos “red devils” Phil Jones, que foi chamado.

Num ano em que a defesa da formação de José Mourinho foi particularmente macia, a ausência de Smalling levanta algumas dúvidas.

Nélson Semedo

A “mota” do Barcelona ficou de fora. Depois de uma boa temporada de estreia por parte de Nélson Semedo na liga espanhola, Fernando Santos preferiu apostar em Cédric Soares e Ricardo Pereira.

E se é verdade que o agora ex-lateral do FC Porto fez uma excelente temporada, o mesmo não se pode dizer de Cédric, que terminou a época com os mesmos jogos de Nélson Semedo, mas com uma diferença: um foi campeão e o outro terminou a Premier League em 17º.

Rúben Neves

Rúben Neves teve uma temporada fantástica no Wolverhampton. Foi campeão com o clube de Nuno Espírito Santo – o que valeu a subida à Premier League –, marcou seis golos espetaculares em 46 jogos e foi eleito jogador do ano do Championship. A imprensa inglesa já o apelida de “Rolls Royce português” fruto das suas boas exibições.

Com a lesão inesperada de Danilo Pereira do FC Porto, havia alguma expectativa que Rúben neves pudesse ser chamado, não para ser titular no lugar que deverá ser de William Carvalho, mas acrescentar outras dinâmicas que, por exemplo, julgamos que a época de Adrien Silva não evidenciou.

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