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A história não deixa dúvidas: só um milagre tira o título ao FC Porto

Em 80 edições da liga, só por quatro vezes uma equipa desperdiçou uma vantagem de cinco pontos na segunda volta.

Faltam apenas 10 jornadas para o final do campeonato e com 30 pontos por disputar e cinco de vantagem sobre os rivais, o FC Porto é o favorito indiscutível à vitória. E se as circunstâncias não são suficientes para demover os mais céticos, basta ver que em 80 edições da liga portuguesa, só por quatro vezes é que o líder desperdiçou uma vantagem igual ou superior durante a segunda volta. Para Sporting e Benfica, o milagre ainda é possível, mas seria um feito quase único e que, segundo a história, acontece apenas a cada 20 anos.

Que milagres foram esses? O primeiro aconteceu em 1951/52, quando o Benfica desperdiçou uma vantagem de quatro pontos – que atualmente corresponderiam a seis, numa altura em que as vitórias davam apenas dois pontos – para o Sporting com apenas sete rondas por disputar. Os leões, que tinham no plantel quatro dos cinco violinos – Jesus Correia, Vasques, Albanos e Travassos, sendo que Peyroteo já tinha terminado a carreira –, acabaram a liga com um ponto a mais do que as águias, depois de terem vencido os últimos oito encontros. O Benfica, com figuras como Rogério Pipi e José Águas, perderam por duas vezes e empataram outra nas derradeiras seis rondas.

Em 1958/59, voltou a ser o Benfica a não conseguir segurar uma boa vantagem, dessa vez de três pontos (correspondentes a cinco pontos atuais) e quatro (correspondentes a seis), a apenas oito jornadas do final. Curiosamente, este foi o famoso campeonato de Inocêncio Calabote, o árbitro que os rivais acusam de ter beneficiado a equipa da Luz. Só que ao contrário do que muitos pensam, o alegado benefício não se traduziu na conquista do título, conquistado então pelo FC Porto.

O terceiro milagre aconteceu em 1970/71 e desta vez coube ao Benfica ser feliz às custas do eterno rival. A equipa da Luz, treinada por Jimmy Hagan, tinha um plantel de luxo com estrelas como Eusébio, Simões, José Augusto, Humberto Coelho, José Torres e Nené. Quando a segunda volta começou, o Benfica era apenas quarto, a quatro pontos do Sporting (correspondentes a seis contando a vitória a três pontos), dois da Académica (na prática três) e um do Vitória de Setúbal (na prática dois). O Benfica ganhou todos os encontros da segunda volta. Acabou a liga confortável no primeiro lugar com mais três pontos do que o Sporting.

De regresso aos tempos modernos, a época 2011/12 foi a única edição já no formato de três pontos por vitória na qual houve uma mudança de líder na segunda volta com uma considerável distância pontual. O FC Porto de Vítor Pereira tinha cinco pontos de atraso a 12 jornadas do fim para o Benfica de Jorge Jesus, mas viria a terminar com mais seis pontos, depois de uma horrível reta final dos encarnados: seis vitórias, três empates e três derrotas, uma das quais por 2-3 na Luz frente aos dragões, no célebre jogo em que Maicon marcou em posição de fora de jogo. Já o FC Porto, cujas grandes figuras eram Hulk e Falcao, venceu dez jogos e empatou apenas dois.

Os clássicos da esperança

Apesar da atual diferença de cinco pontos, o calendário pode dar alguma esperança aos rivais dos dragões, ate porque ainda estão marcados dois confrontos diretos, com o FC Porto a receber o Sporting e os azuis e brancos a terem de visitar a Luz na 30.ª jornada. E para tudo ficar ainda mais embrulhado, haverá um Sporting-Benfica na penúltima ronda.

No entanto, além do FC Porto ter de falhar nestes dois jogos, Benfica ou Sporting terão de fazer uma fase final irrepreensível, eventualmente com vitórias nos dez encontros que faltam. Algo que até foi conseguido pelo Benfica de Rui Vitória há duas temporadas, enquanto o Sporting de Jorge Jesus quase o conseguiu, tendo somado nove vitórias nas últimas nove partidas. No entanto, a dez jornadas do fim, foi derrotado em Alvalade pelo Benfica (0-1, golo de Mitroglou) e terminou com menos dois pontos do que o eterno rival.

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