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Hugo Vieira e o Sporting: “Quando ia assinar, o valor não era o que tinham prometido”

Passou sem brilho pelo Benfica de Jesus, foi estrela na Sérvia e agora continua a marcar golos na liga japonesa.

Hugo Vieira joga atualmente no Yokohama Marinos.

Hugo Vieira continua marcar golos, mas agora no Japão, onde representa o Yokohama Marinos, o atual quinto classificado da J-League. O avançado de 29 anos tem um registo de 17 golos em 32 jogos oficiais desde que chegou ao clube, dando sequência ao que fez nos sérvios do Estrela Vermelha, onde apontou 29 golos em 51 encontros, em apenas uma época e meia.

Apesar destes números de respeito, que o tornam no segundo jogador português mais produtivo no estrangeiro nos últimos dois anos e meio — só superado por Cristiano Ronaldo —, nunca teve uma oportunidade na seleção nacional, algo que o próprio estranha. Por outro lado, e apesar de dizer que Jorge Jesus não aposta nos jovens portugueses, diz à 4MEN que foi o único culpado por não se ter afirmado no Benfica.

A 20 de setembro, na partida com o Sanfrecce Hiroshima, conseguiu marcar um hat-trick. Foi o seu melhor jogo no Japão?
De facto, a vida está a correr-me muito bem aqui, pois tenho conseguido marcar golos e mostrar as minhas qualidades. Se esse jogo em que marquei três golos foi o melhor não sei, mas foi o jogo em que consegui ser feliz. É a diferença de quando a bola entra ou não.

Qual é o nível do futebol japonês?
O nível é muito alto, pois existem bastantes jogadores de qualidade. O nosso objetivo é terminar nos três primeiros e desse modo conseguir a qualificação para a Champions.

Há algum costume pouco habitual no Japão que lhe tenha chamado a atenção?
Os senhores de bastante idade gostam muito do Picachu e muitos deles vestem-se todos de amarelo. É bastante engraçado.

É reconhecido na rua pelos adeptos?
As pessoas conhecem-me mas respeitam-me muito. Quando estou num restaurante, ninguém me perturba e só quando acabo é que me vêm pedir fotos ou autógrafos e já é fora dos cafés e dos restaurantes.

Na Sérvia era muito popular entre os adeptos do Estrela Vermelha.
Sim, na Sérvia era inacreditável, nem podia sair à rua, os adeptos do Estrela Vermelha eram incríveis e era inundado por cartas que enviavam para o clube. Sentia-me um privilegiado, era muito respeitado, mesmo pelos rivais. No final de um jogo com o Partizan de Belgrado, que era o nosso grande rival, atiraram petardos e outros objetos aos meus colegas e eles tiveram de sair de campo a correr. Eu fiquei para último lugar e fui a andar, enquanto era aplaudido.

Como é disputar um dérbi eletrizante como o Partizan de Belgrado – Estrela Vermelha?
É fantástico. As pessoas que nunca assistiram nem sonham o ambiente de loucura em que este dérbi se disputa. E marquei dois golos espetaculares: um de chapéu e outro num remate do meio da rua, que foi um dos meus melhores golos.

Porque é que nunca teve uma oportunidade na seleção nacional?
Sinceramente, não percebo, mas só me resta continuar a elevar o nome do nosso país ao mais alto nível. Penso que encaixaria bem na seleção e os portugueses iriam ter uma boa surpresa se eu fizesse dupla com o Ronaldo.

Comparando os seus números com os do Éder, sente que podia ter sido o herói da final?
Poder podia, mas não fui. Foi o Éder e com todo o mérito, ele merece. Foi muito criticado, sem culpa nenhuma, não é fácil ser-se o avançado indesejado. Gosto dele e respeito-o.

Já perdeu a esperança de representar a seleção?
Esperança tenho sempre, até porque só o Cristiano Ronaldo faz mais golos do que eu. Evoluí muito como jogador e tenho provas dadas em vários campeonatos.

Em Portugal é que não correu muito bem. Assinou pelo Benfica em maio de 2012 mas nunca representou o clube oficialmente. O que falhou?
A culpa foi minha, era muito jovem e queria jogar, por isso pedi para sair e ir para o Sporting de Gijón.

“O Sporting apresentou-me uma proposta de contrato e  quando ia assinar, o valor não era o que me tinham prometido”

Como foi trabalhar com Jorge Jesus? Acha que ele não dá muita atenção aos jovens portugueses?
Sim é verdade, ele não dá oportunidade aos jovens portugueses. Mas como disse anteriormente, a culpa foi minha.

Em 2012 optou pelo Benfica, em vez de ir para o Sporting, que também estava interessado. Arrependeu-se?
Isso foi no tempo do Godinho Lopes. O Sporting apresentou-me uma proposta de contrato, chegámos a acordo e quando ia assinar, o valor não tinha nada a ver com o que me prometeram. Felizmente, apareceu uma pessoa muito séria como Luís Filipe Vieira, que cumpriu com a palavra e assinei com o Benfica pelos mesmos valores que tinham sido falados.

Ainda tem a ambição de jogar num grande de Portugal?
É muito difícil voltar a Portugal. Ninguém me vai pagar o que ganho aqui. Provavelmente, voltarei um dia ao meu Gil Vicente.

Sérvia, Rússia e Japão? Qual é que foi a sua melhor experiência no estrangeiro?
Na Sérvia. Foi lá que me deram de novo uma vida. Trataram-me como um rei, nunca vou esquecer o que fizeram por mim, com milhares de pessoas a cantar o meu nome milhões de vezes, quando se sabia que não cantavam o nome de um jogador estrangeiro há mais de 20 anos. Foi inesquecível viver naquele país. Concretizei o sonho de ser campeão, melhor jogador do campeonato e melhor marcador. Melhor seria impossível.

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