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Iordanov: “Até hoje não consigo explicar o que aconteceu nos 3-6 contra o Benfica”

Jogou dez anos no Sporting e era um dos ídolos dos adeptos. Aos 49 anos, o ex-futebolista explica à 4MEN como lida com a doença crónica que o afeta e recorda alguns dos momentos mais bonitos da carreira.

Ivaylo Iordanov foi possivelmente o jogador mais adorado pelos dos adeptos do Sporting na década de 90. Estava longe de ser um virtuoso como o seu compatriota Balakov, mas a forma como dava tudo em campo e a sua humildade contagiavam a multidão que enchia Alvalade nos tempos do futebol à tarde.

Chegou como ponta de lança e foi nessa posição que fez a maior parte dos 222 jogos no clube onde marcou 70 golos, mas também foi trinco e até defesa central.

Era ele o capitão da equipa quando em 1999/2000 o Sporting quebrou o jejum de 18 anos e coube-lhe a honra de colocar um cachecol do clube na estátua do Marquês de Pombal – um gesto que o búlgaro espera repetir em maio, apesar dos atuais cinco pontos de desvantagem dos leões para o FC Porto.

Aos 28 anos foi-lhe diagnosticada esclerose múltipla, uma doença crónica que o vai acompanhar até ao fim e que, obviamente, limitou a sua carreira. Ainda assim, Iordanov manteve-se em campo até aos 33 anos.

Não esconde o desejo de voltar ao Sporting e faz questão de deixar uma mensagem de agradecimento aos adeptos, sem os quais “não teria ultrapassado os momentos muito difíceis” que enfrentou na carreira.

Chegou ao Sporting no verão de 1991 e foi apresentado aos adeptos de uma forma pouco usual.
Sim, foi um pouco estranho, porque estava a decorrer um meeting de atletismo no antigo Estádio José Alvalade, que contava com a presença do Sergei Bubka, uma grande estrela na altura. Apareci com o presidente Sousa Cintra e ele invadiu a pista de tartan, interrompeu o meeting a apresentou-me aos adeptos. O Bubka ia tentar bater o recorde do mundo e cumprimentou-me quando passei ao seu lado.

Sousa Cintra era um presidente pouco convencional.
Lembro-me que era apaixonado pelo Sporting e fazia tudo para que o clube tivesse sucesso.

A verdade é que o Iordanov adaptou-se muito facilmente a Portugal e ao Sporting.
Sim, é verdade. Penso que os búlgaros têm uma grande capacidade de adaptação a países estrangeiros. Por outro lado, em termos de personalidade, somos muito parecidos com os portugueses. Essencial na minha rápida adaptação foi o facto de na altura o Sporting já ter dois jogadores búlgaros, o Balakov e o Guentchev e ainda o preparador físico, o Terziski. Ajudaram-me muito naqueles primeiros tempos.

Esteve dez anos no Sporting mas só foi campeão nacional em 1999/00. Essa foi mesmo a melhor equipa que encontrou no clube?
Não posso dizer isso. Acho que a mais forte foi aquela de meados da década de 90, que tinha o Figo, o Balakov, o Peixe e outros grandes jogadores. Faltou-nos um pouco de sorte nesses anos, mas ela apareceu em 2000.

Quando é que ficou decidido que iria colocar o cachecol do Sporting na estátua do Marquês de Pombal?
Foi uma coisa que surgiu no momento, quando passámos pela zona no autocarro descapotável. Não foi nada planeado, mas fiquei muito orgulhoso como capitão de equipa por ter sido o escolhido para colocar o cachecol na estátua do Marquês.

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