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Magnusson: “O Shéu tinha quatro dedos e o Álvaro seis. Percebi logo que o Benfica ia ser uma experiência incrível”

Deixou o vício do álcool, está a preparar uma mudança definitiva para Lisboa e pelo caminho ainda recorda os melhores momentos da carreira. Leia a entrevista do sueco goleador à 4MEN.

Mats Magnusson deixou muitas saudades entre os benfiquistas

Mats, o temível sueco que era alto e nada tosco, marcou uma geração de benfiquistas. Nem todos se lembrarão dos seus feitos durante os cinco anos em que representou o Benfica, entre 1987 e 1992. Marcou 87 golos em 134 jogos – só em 89/90 fez 40 golos –, ganhou dois campeonatos nacionais, uma Supertaça e esteve presente em duas finais da Taça dos Clubes Campeões Europeus perdidas frente ao PSV Eindhoven e ao AC Milan de Rijkaard, Gullit e Van Basten.

Não foram apenas os golos que deixaram o sueco na memória de todos os adeptos portugueses, benfiquistas, portistas, sportinguistas e de muitos outros clubes. A humildade e boa disposição eram contagiantes e são qualidades que se mantiveram, mesmo depois dos últimos anos atribulados do antigo jogador.

No final de 2017 lançou a sua auto-biografia – “Hell and Back” (Ir ao Inferno e voltar, em tradução livre) – onde revelou os problemas com o álcool que enfrentou depois de abandonar o futebol profissional. A partir de 1994, a vida desmoronou-se: perdeu tudo, afastou-se da família e chegou a dormir nas instalações do Högaborg, clube onde trabalhava. E quem não se recorda do célebre regresso à luz para uma partida amigável, onde Mats entrou a cambalear em campo?

“Aquele jogo contra Zidane… é terrível pensar nisso. Foi demasiado. Estava bêbedo no relvado e a primeira coisa que fiz quando entrei foi cair. Foi uma viagem de um fim de semana e eu comecei a beber logo no avião. Não estava muito bêbedo, só um pouco. Lembro-me de cair quando estava a entrar no autocarro que nos levava do avião ao terminal. Fiz uma grande ferida na perna e demorou muito a cicatrizar”, revelou no livro.

A 4MEN ligou diretamente para a Suécia para falar com Magnusson que é hoje um homem diferente. Confessa que está reabilitado e que está a planear mudar-se definitivamente para Lisboa. Pelo caminho, recorda alguns dos momentos mais importantes da carreira que aconteceram precisamente no Benfica.

O que ainda guarda consigo dos tempos do Benfica?
Foram cinco anos maravilhosos, tive muito orgulho em representar o Benfica e posso dizer que, hoje em dia, ainda sou 100 por cento benfiquista. Nem imagina as saudades que tenho de Portugal e de viver em Cascais. Tenho o sonho de voltar a Portugal para viver ainda este ano.

Os adeptos ainda se lembram de si?
Uau, é incrível a festa que fazem. Sou muito bem tratado por todos em Portugal e não só por benfiquistas. Os sportinguistas e os portistas que encontro dizem-me: “Olha, o Magnusson. Gostamos muito de ti.”

Porque é que os portugueses gostam tanto de si?
Os benfiquistas porque marquei muitos golos (risos). Os sportinguistas e os portistas porque reconhecem que sempre fui muito humilde, nunca me neguei a falar com as pessoas. Por exemplo no antigo estádio da Luz eu nunca punha o carro na garagem e no fim dos jogos e dos treinos ficava sempre a falar com os adeptos. Tinha uma postura humilde. Nunca me queixava quando não jogava e nunca falava mal de ninguém. Lembro-me que uma vez o Schwarz me disse: “Mats, todos os benfiquistas te amam, é incrível” e eu respondi-lhe que “não são só os benfiquistas, os portistas e os sportinguistas também me amam”. E eu posso dizer que também amo os portugueses.

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