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A maldição que nunca existiu e outras curiosidades incríveis sobre Béla Guttmann

A nova biografia do treinador é lançada esta terça-feira e revela alguns segredos da vida do treinador que levou o Benfica ao topo da Europa.

“O José Mourinho do passado.” É desta forma que David Bolchover se refere a Béla Guttmann, o treinador húngaro que levou o Benfica à conquista de duas Taças dos Campeões Europeus consecutivas – um feito inédito no futebol português e que nunca mais ninguém conseguiu igualar. Este é o mais famoso detalhe da longa e atribulada história de vida do técnico que o autor britânico desvenda no livro “Béla Guttmann: De Sobrevivente do Holocausto a Glória do Benfica” e que chega às lojas esta terça-feira, 20 de fevereiro.

No livro, Bolchover faz várias revelações sobre o carismático treinador, como a célebre suposta maldição que lançou à equipa do Benfica – de que sem ele, esta nunca mais seria campeã da Europa – que, explica o inglês, “nunca chegou a ser dita”. Fala também do acordo secreto com os encarnados, quando ainda estava no comando do FC Porto, e as comparações com o atual treinador do Manchester United.

David Bolchover decidiu escrever este livro por ser “um apaixonado pelo futebol e também por ser judeu”, um pouco à imagem de Guttmann. “É uma das história individuais mais incríveis do século XX e esta biografia permitiu-me combinar o futebol com a história judaica da época”, explica à 4MEN.

A pesquisa não foi fácil. Quando se começam a reunir os detalhes de uma biografia, as primeiras pessoas a quem se recorre são os descendentes do protagonista. Só que Guttmann não teve filhos. Tinha apenas um sobrinho que vivia em São Paulo. Por não saber falar húngaro, alemão, português ou italiano, Bolchover teve ainda de “recorrer a bons tradutores” nas suas viagens por Budapeste, Viena e Lisboa.

E fácil também não foi a vida de Guttmann que, à semelhança de milhões de judeus, se viu obrigado a fugir da perseguição que assolou a Europa no início e meados do século.

Como Guttman escapou às perseguições no sótão do cunhado

Nasceu em Budapeste em 1899 e tinha 14 anos quando começou a Primeira Guerra Mundial. A paixão pelo futebol já estava presente, mas essa foi uma luta que teve que travar com os pais, Abraham e Esther, que preferiam que Béla fosse instrutor de dança. Tudo porque, à época, não era possível viver do futebol. Mas antes, e porque Guttmann queria conhecer o mundo, lançou-se uma viagem para os EUA, antes de regressar à Europa em 1933, para treinar o Hakoah de Viena.

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