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Piqué, o central polémico que vai revolucionar o ténis

O defesa do Barcelona comprou a Taça Davis e quer transformá-la num campeonato do mundo.

Poderíamos definir Gerard Piqué apenas como mais um jogador de futebol, mas o defesa do Barcelona é muito mais do que isso. É polémico, provocador, não se inibe de participar na política e, ao que parece, é também um empresário visionário. É que o espanhol acaba de comprar a Taça Davis, a maior competição por equipas do ténis, e quer transformá-la numa espécie de campeonato do mundo.

Os direitos foram comprados através do seu grupo de investimento, o Kosmos, do qual Piqué é fundador e presidente. E até já convenceu a Federação Internacional de Ténis (ITF) a mudar o formato da competição que se realiza desde 1900. A partir do próximo ano, a prova deverá passar a ser disputada como um autêntico Campeonato do Mundo e David Haggerty, presidente da ITF, revelou que a Taça Davis “vai mudar completamente de paradigma”.

Para que tudo isto se torne realidade, falta apenas que seja aprovada pelo conselho de administração da ITF, algo que deverá suceder sem grandes problemas. E qual será a grande mudança? A partir de 2019, a prova passará a ser disputada por 18 seleções, numa única cidade, durante sete dias de novembro. Passará a haver uma fase de grupos, quartos de final, meias finais e final. Cada eliminatória terá dois encontros de singulares e um de pares, à melhor de três sets.

Piqué não esconde o entusiasmo com esta revolução: “A Kosmos está muito feliz por ter chegado a acordo com a ITF. O nosso objetivo é elevar a Taça Davis a outros patamares e criar uma grande final que juntará os melhores países e os melhores jogadores”.

Esta é, contudo, apenas uma das facetas da vida de Piqué, um catalão inveterado e adepto ferrenho do Barça, características que o têm colocado no centro de inúmeras polémicas. Além de ser um dos melhores defesas do mundo, é um homem frontal e que não se esquiva a uma boa discussão.

Para encontrar uma polémica basta recuar alguns dias, até ao momento em que se referiu ao grande rival local do Barcelona, não como Espanhol de Barcelona, mas sim como Espanhol de Cornellà. Seria o mesmo que alguém referir-se ao Benfica de Carnide ou ao Sporting do Campo Grande. E ainda recordou a origem chinesa do dono do Espanhol, o que lhe valeu algumas acusações de racismo.

Curiosamente, Piqué marcou o golo que valeu o empate ao Barcelona no último dérbi catalão e, durante os festejos, mandou calar o público da equipa da casa depois de ter sido assobiado e insultado durante os 90 minutos.

“Mandar calá-los era o mínimo que podia fazer. Claro que enquanto jogador, tenho responsabilidades, mas também sou uma pessoa e reajo ao que se passa. Dizer que o Espanhol é de Cornellà não é uma falta de respeito, é uma evidência. O Espanhol está cada vez mais afastado de Barcelona e tem um presidente chinês. Queixam-se por eu dizer isto e não investigam os insultos à minha família”, explicou depois do jogo.

Como orgulhoso catalão que é, Piqué foi um acérrimo defensor do referendo na Catalunha e a postura colocou-o na mira de muitos espanhóis que entendem que deveria abdicar da seleção espanhola e juntar-se à equipa catalã. Já foi várias vezes assobiado pelos adeptos, mas garante que deixar de vestir a camisola da roja é algo que não está nos seus planos.

“É impossível colocar em dúvida o meu compromisso para com a seleção, que represento desde os 15 anos. A seleção espanhola é como uma família e é por isso que continuo aqui. Só lamento que existam pessoas com dúvidas em relação a isso”, frisou depois de ter sido assobiado pelos adeptos num treino aberto da seleção.

Não é segredo que Piqué não morre de amores pelo Real Madrid e nem sequer dá tréguas a Sérgio Ramos, o seu parceiro no centro da defesa da seleção: “Fala-se da remontada do Barcelona frente ao PSG [os blaugrana tinham vencido poucos dias antes os franceses por 6-1, num jogo cuja arbitragem foi muito criticada], mas ninguém fala do golo em fora de jogo do Ramos na final da Champions”.

Mas Piqué foi mais longe: “Nada tenho contra os jogadores do Real Madrid, mas não gosto dos valores que esse clube transmite. Não gosto de ver no Bernabéu a pessoa que condenou Neymar e Messi [nos casos que envolveram o fisco] e a Cristiano nada aconteceu [as declarações ocorreram antes do português ter sido chamado a depor pelo Fisco espanhol]. Não gosto de ver no palco do Real Madrid as pessoas que mexem os cordelinhos neste país e nunca jogaria pelo Real Madrid”.

Apesar das frequentes discussões públicas entre Piqué e Sérgio Ramos, o futebolista catalão garante que se dá muito bem com o colega de posição. “Temos uma relação fenomenal e até vamos ser sócios num negócio que criei”, anunciou recentemente.

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