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Quem quer ser a melhor equipa de Roma? Vem aí mais um dérbi eterno no Olímpico

Roma e Lazio levam 89 anos de rivalidade para o campo este domingo, as 19h45. Tudo para desempatarem a igualdade na tabela da Série A.

O dérbi de Roma não é um jogo qualquer. É um jogo dos azuis contra os vermelhos, da classe alta contra a classe trabalhadora, da curva nord contra a curva sud, da direita contra a esquerda. Joga-se dentro das quatro linhas e raras vezes fica apenas ali, dentro do retângulo onde se marcam os golos. Este domingo, 15 de abril, Lazio e AS Roma voltam a encontrar-se no Olímpico para mais uma edição do dérbi que traz consigo uma longa (e por vezes violenta) história.

A Lazio nasceu primeiro, em 1900, enquanto que a AS Roma só apareceu em 1927 quando Italo Foschi, um reconhecido líder fascista, decidiu agregar várias equipas romanas numa só para fazer frente aos clubes que nasceram da mesma forma noutras cidades italianas. Devido à intervenção de Giorgio Vaccaro, outro reputado membro do partido fascista, a Lazio não fez parte dessa unificação e manteve-se independente, mesmo contra a vontade do próprio Mussolini, que sempre desejou ter uma equipa forte na capital que lutasse por títulos.

A rivalidade nasceu a 8 de dezembro de 1929, data do primeiro dérbi para o campeonato, com a Lazio a jogar em casa e a Roma a vencer por 1-0. De lá para cá houve várias constantes, grandes jogos, violência, com muita política e racismo à mistura.

A Lazio e os seus ultras têm ligações indesmentíveis à direita. E, claro, do lado oposto, o ponteiro pende para o centro-esquerda. A inclinação da Lazio à direita ficou bem patente quando Paolo di Canio, um dos grandes ídolos do clube, defendeu publicamente Mussolini e o fascismo ou quando celebrou um golo no dérbi fazendo a saudação fascista na direção da curva sud. Os próprios adeptos laziale foram mais longe e levantaram uma faixa que dizia: “Auschwitz é a vossa terra, os fornos as vossas casas.”

Di Canio e a polémica saudação no Olímpico

Voltando ao futebol. Já se jogaram 162 dérbis de Roma, entre Serie A e Taça de Itália, com a AS Roma a vencer 60, empatar 59 e a Lazio a ganhar 43 vezes. Não os vimos todos mas apostamos que foram apaixonantes como, aliás, são sempre – mesmo quando o futebol não é tão bem jogado.

A sete jornadas do final da temporada, a Juventus caminha segura para o título. Um pouco abaixo, com os mesmos 60 pontos e em terceiro e quarto lugar estão os rivais romanos – um empate que ambos querem resolver já este domingo no Olímpico. Com o Inter à espreita de um lugar de acesso à Champions do próximo ano, ninguém vai querer escorregar. E, claro, o orgulho está sempre em causa, seja qual for o outro objetivo da equipa.

Antes do início da partida, marcada para as 19h45, a 4MEN recorda os cinco dérbis mais intensos da história de Roma.

Lazio 3 – 3 Roma (1998/99)

O dia em que nasceu uma lenda. A Lazio tinha uma grande equipa onde alinhavam jogadores como Mihajlovic, Nedved, Stankovic, Mancini, Salas e os portugueses Sérgio Conceição e Fernando Couto. A Roma respondia com Delvecchio, Tommasi, Paulo Sérgio, Aldair e Totti.

Aos 77 minutos a Lazio vencia por 3-1, mas aos 78 um rapazote chamado Totti começou a transformar o seu nome num dos futuros heróis da curva sud. O miúdo recebe a bola de lançamento lateral finta o defesa e cruza para a finalização de Di Francesco, atual treinador da Roma. Três minutos depois o próprio Totti, Il Bimbo d’Oro, estreia-se a marcar em dérbis e empata um dos jogos mais emocionantes do calcio.

Roma 4 – 1 Lazio (1999/00)

Foi a estreia de Montella no dérbi. O avanlçado tinha chegado nesse verão a Roma e teve impacto imediato no Derby Della Capitale. Em 31 minutos a Roma já vencia por 4-0, dois de Delvecchio e dois de Montella.

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