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A primeira Supertaça de Conceição e a goleada que envergonhou os benfiquistas

Há 22 anos venceu o primeiro título pelo clube logo no primeiro jogo. Este sábado tenta repetir a vitória na Supertaça. Só falta o Benfica.

As promessas no futebol podem arruinar carreiras. Não há muitos jogadores e treinadores que arrisquem uma previsão daquilo que os adeptos poderão ou não festejar no final da temporada. E desde o célebre murro na mesa de Mourinho – que concretizou a promessa do título para os portistas – que poucos se aventuram neste jogo de adivinhações. Conceição foi uma exceção.

“Estou convencido que em maio vou estar feliz e todos os portistas também”. Foi com estas palavras que o treinador se apresentou no início da época 2017/18 na liderança do clube. Nove meses depois encerrava a temporada com uma vitória em Guimarães na última jornada – e com o primeiro troféu do FC Porto ao fim de quatro anos.

Este sábado, 4 de julho, o treinador completa o círculo no confronto com o Desportivo das Aves para a Supertaça. Afinal, Conceição fez a estreia com a camisola do clube há 22 anos, na Supertaça de 1996. E tal como no regresso, fê-lo com uma vitória, a primeira de sempre ao serviço do FC Porto, logo no primeiro jogo, que ainda por cima ficou para a história.

Vindo da Académica para os juniores do FC Porto, Conceição passou de empréstimo em empréstimo até ser resgatado ao Felgueiras. Voltou a casa aos 21 anos para ficar de vez. O primeiro jogo oficial estava marcado para 18 de agosto de 1996 e logo contra o eterno rival, o Benfica.

O extremo começou no banco e foi chamado aos 66 minutos para substituir Edmilson. O jogo terminou com uma vitória por 1-0 nas Antas, mas ainda havia uma segunda mão para jogar. Por esta altura, a Supertaça obrigava a isso.

A aposta no miúdo que vinha de uma boa época no Felgueiras foi uma surpresa. Foi Bobby Robson quem avisou para a qualidade do rapaz de feitio complicado. Só que antes da chegada de Conceição, o inglês saiu e deu lugar a António Oliveira. O caso podia ter-se complicado.

“Bobby Robson não coincidiu com a minha vinda para o FC Porto, mas foi ele o principal responsável pelo meu regresso. Ele foi ver um jogo meu no Felgueiras e disse ao presidente que me queria na próxima época. Foi ele quem alertou o FC Porto para o meu valor. Renovei contrato e regressei”, explicou o treinador ao Porto Canal depois do jogo de apresentação desta temporada 2018/19 frente ao Newcastle que contou com uma homenagem a Robson.

Oliveira começou a reparar no miúdo que disparava na ala e colocou-o no onze inicial da segunda-mão. Conceição fazia a estreia a titular no relvado da Luz e ajudou a construir a maior goleada de sempre da Supertaça. O FC Porto venceu por 5-0 em Lisboa. O momento foi marcante e os festejos na Luz foram como sempre o são: loucos e efusivos.

Quando regressou em 2017, já com sete anos de experiência mas sem qualquer título conquistado, fez questão de dizer que voltava para vencer. Um cenário que parecia pouco provável, dado o falhanço das últimas quatro épocas do clube.

“Muitas vezes podem julgar que foram buscar um ex-atleta de raça, de grande ambição. É verdade, são características associadas à minha qualidade de trabalho. É com esse espírito que vimos aqui dar o melhor, sermos exigentes, rigorosos, disciplinados, para, no fim, dar à nossa massa adepta a alegria dos títulos”, explicou o treinador durante a apresentação aos adeptos.

No final da temporada, a promessa cumpriu-se. Entregou o campeonato aos adeptos e colocou-o na sua lista como o primeiro conquistado no papel de treinador. 22 anos depois do arraso na estreia, Conceição volta à Supertaça para continuar a fazer história. Melhor, dirão os adeptos, só se fosse mesmo contra o Benfica.

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