Comer e beber

Afinal, o leite gordo não faz tão mal à saúde como se pensava

Há décadas que fugimos dos laticínios gordos, mas um novo estudo demonstra que os perigos podem ter sido mal calculados.

O que é mais saudável: um copo de leite magro ou um copo de leite gordo? Se disse magro, parabéns. Não recebe um prémio, mas percebe facilmente que esta é a ideia generalizada nos consumidores. Se tem gordura, é mau, certo? Talvez não seja bem assim. A conclusão é de um estudo recente que promete mudar a forma como olhámos não só para o leite mas também de produtos derivados como o queijo e a manteiga.

As questões ligadas à alimentação são um tema sempre atual e em constante mudança. Já ouvimos que o leite não é bom e que a manteiga faz mal, mas também já ouvimos o contrário e, a certo ponto, fica complicado saber distinguir entre o que nos faz realmente bem ou mal e aquilo que é apenas uma moda ou tendência criada pelo marketing.

Um estudo recente publicado pelo The American Journal of Clinical Nutrition concluiu que o consumo de laticínios gordos a longo prazo não está diretamente relacionado com uma maior mortalidade ou com casos de doenças cardiovasculares – uma ideia tão disseminada que praticamente relegou os leites gordos para uma pequena prateleira. O mesmo aconteceu com o consumo de manteigas e o crescimento de alternativas com menos ou quase nenhuma gordura.

Depois de analisarem 2907 adultos ao longo de 22 anos, os investigadores concluíram que pessoas com maiores e menores níveis de gorduras lácteas tinham os mesmos valores de mortalidade nesse período.

Citada pelo “The Atlantic”, uma das investigadoras que participou no estudo, Marcia de Oliveira Otto, da Universidade do Texas, explicou alguns dos dados obtidos: “Penso que a grande novidade é que, embora haja o senso comum de que o leite gordo é prejudicial para as doenças cardíacas, nós não encontramos isso”, disse. E acrescentou: “E não somos apenas nós. Vários estudos recentes acharam o mesmo”.

Apesar de não especificar se o consumo de laticínios foi feito através de leite, manteiga ou queijo e se as quantidades ingeridas resultam de produtos gordos ou meio-gordos, o estudo revelou que o consumo destes ingredientes não está implicado na mortalidade em geral. Há até casos em que o consumo pode ajudar algumas pessoas a diminuir o risco de ter um AVC.

Marcia de Oliveira Otto destacou ainda que isto não deve ser motivo para se consumir mais ou menos laticínios ou mais ou menos gorduras deste tipo, até porque há vários alimentos que reduzem à gordura mas aumentam ao açúcar.

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