Comer e beber

Estragado ou seguro para comer? Os segredos escondidos das datas de validade

A nova campanha da APAD explica tudo. O objetivo passa por evitar o desperdício alimentar – e o segredo está nos rótulos.

“Saber a diferença, faz a diferença” é o slogan da campanha lançada esta segunda-feira, 4 de fevereiro, pela Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), que quer pôr os portugueses a desperdiçarem menos. Como? Ajudando-os a saber como devem ler os rótulos e, sobretudo, a analisar as datas de validade. De certeza que já reparou nas diversas formas utilizadas nos rótulos dos alimentos: uns dizem “consumir até”, “consumir de preferência antes de” e “consumir de preferência antes do fim de”. Pois, são coisas diferentes. A campanha pretende ajudar os consumidores distinguirem as diferentes indicações de durabilidade dos alimentos e, dessa forma, rentabilizar o consumo dos produtos alimentares, evitando o desperdício alimentar.

Existem produtos sem indicação de validade, como o sal, o açúcar e o vinagre, por serem produtos microbiologicamente não perecíveis. São considerados conservantes naturais, mas as informações de conservação devem ser respeitadas para que mantenham as suas propriedades físico-químicas.

Diferentes estudos europeus apontam que “o consumidor doméstico é responsável por cerca de 42% do desperdício alimentar global”, muitas vezes porque não compreendem o significado das datas de validade colocadas nos produtos.

A indicação de validade escrita não é obrigatória em produtos vendidos a granel ou diretamente ao balcão, em lojas onde são cortados ou fatiados, como em talhos, peixarias, padarias ou charcutarias.

A associação alerta para o facto de haver produtos que ficam amolecidos, como frutos secos, biscoitos ou bolachas, mas que se forem levados ao forno por breves minutos e, à medida que arrefecem, voltam ao seu estado normal. A entidade refere a medida como “operação resgate”. Sublinha ainda o facto de existir uma série de alimentos que podem ser congelados para evitar o desperdício: fruta, batatas, pão, pimento, sobras de carne, queijo ralado. A descongelação deverá ser feita no frigorífico e os produtos têm de ser consumidos em 24 horas.

A campanha pretende ajudar os consumidores a distinguir as diferentes indicações de validade.

Consumir até

A designação indica a data até à qual o produto deve ser consumido. Engloba alimentos microbiologicamente perecíveis, nomeadamente carne fresca, iogurtes, queijo fresco, saladas de IV gama – produtos horto-frutícolas frescos minimamente processados, ou seja, que se apresentem lavados, cortados e desinfetados, mas que não mantêm as características da matéria prima devido à atmosfera da embalagem –, sanduíches e refeições prontas. Os artigos devem ser consumidos até à data indicada, que surge com referência ao dia, mês e ano.

Consumir de preferência antes de

Quando a etiqueta assinala “consumir de preferência antes de”, refere-se a uma data indicativa até à qual o alimento conserva as suas propriedades específicas, como o azeite, as batatas fritas e os cereais, geralmente com validade inferior a três meses. Estes alimentos podem ser consumidos após essa data, desde que as condições de conservação sejam mantidas. Também traz o dia, o mês e o ano, indicados.

Consumir de preferência antes do fim de

A data referida no rótulo é equivalente a até quando o alimento conserva as suas propriedades específicas. Compreende produtos microbiologicamente não perecíveis, como as conservas e os congelados, com validade superior a 3 meses. Os artigos podem ser consumidos após essa data, se as regras de conservação forem seguidas.