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Geographia: dar uma volta ao mundo só com cozinha portuguesa

O restaurante lisboeta abriu perto do Museu Nacional de Arte Antiga, entre Santos e Alcântara, e junta no menu pratos de fusão dos países da lusofonia inspirados pela gastronomia nacional.

É a volta ao mundo em português.

Brasil, Macau, Cabo Verde, Angola, Goa e Timor. Parece a letra da música dos Da Vinci “Conquistador”, mas são os países da lusofonia que vai encontrar à mesa do Geographia, o novo restaurante de Lisboa — que abriu em julho junto ao Museu Nacional de Arte Antiga e do Largo Dr. José Figueiredo, entre Santos e Alcântara. O objetivo foi homenagear a cozinha portuguesa através dos países que por ela foram influenciados.

“Quisemos mostrar muito do que os portugueses trouxeram ao mundo através de alguma fusão”, explica Rúben Obadia, um dos três sócios do novo Geographia e que também é responsável pela agência de comunicação Message in a Bottle. A ele juntarama-se Miguel Júdice — que tem outros negócios na cidade, como o Naked, e fora de Lisboa, como a Quinta das Lágrimas — e Lucyna Szymanska, que é responsável por uma das maiores agências de modelo polacas, a D’Vision.

Já eram amigos há algum tempo, mas nunca tinham tido um negócio juntos. “Conseguimos o espaço em dezembro, ainda antes de termos o conceito. Aqui funcionava o Lumar, um restaurante com picanha e comida africana.” Em março, começaram as obras, já com a ideia definida do que queriam fazer.

“Encontrámos em Lisboa restaurantes de todo o mundo, como mexicanos e asiáticos, mas nenhum que elogiasse a gastronomia portuguesa que está espalhada por vários países”. As receitas chegaram com a ajuda de familiares de amigos dos países por onde passaram os portugueses durante a altura dos Descobrimentos.

Para entrada há dim sum de Macau com pimentos doces (6,50€), fritos de quatro continentes, um croquete de carne, um pastel de bacalhau com mandioca, um de massa tenra com sardinha e outro de tapioca (6€) ou a salada moma tiomorense, com frango, batata doce, grão, banana, amêndoa e laranja (7€).

Nos pratos continuam as referências a vários países. É o caso do caril de camarão de Goa servido com arroz de coco (14€), a moamba de peixe de Angola (13€), a galinha do campo com caril de amendoim (14€) ou a picanha com baião de dois, uma mistura de feijão e arroz e mandioca frita (16€).

Para terminar há quindim com sorbet de capirinha (5€), mousse de chocolate de São Tomé com salame (5€), leite creme com abacaxi caramelizado (6€), e o Melhor Pão de Ló do Universo, que Miguel Júdice leva para todos os seus espaços. Durante os dias de semana há menu de almoço a 14€, com direito a entrada, couvert e um prato da carta que já está definido — a partir de setembro será sempre uma criação nova. Já aos sábados, daqui a algumas semanas, vai arrancar um menu especial de almoço com feijoada.  

O restaurante tem duas salas e capacidade para 50 pessoas. O chão é o original do antigo Lumar. As mesas e as cadeiras também foram restauradas para o novo Geographia. Na primeira sala, assim que entra, tem a zona do balcão e numa das paredes está a ilustração de um rinoceronte, que é também o logotipo do restaurante. “Mais uma vez o objetivo foi simbolizar o cruzamento de culturas da expressão portuguesa que inspira o restaurante.”

Este é um desenho de Albrecht Dürer do animal chamado Ulisses, que foi oferecido pelo governador da Índia a Afonso de Albuquerque e que depois o enviou ao rei Dom Manuel I. O rinoceronte chegou finalmente a Portugal em maio de 1515, altura em que D. Manuel I o quis enviar para o Papa da altura, Leão X. O animal nunca chegou vivo a Roma, só a sua carcaça. O barco afundou-se na costa de Itália durante a viagem.

O rinoceronte é o Ulisses e o macaco, que está numa das colunas no meio da primeira sala, chama-se Magalhães, que foi buscar o nome ao navegador Fernão de Magalhães. O rinoceronte está também presente na segunda sala, aí numa escultura mais pequena criada pela ONG Ocean Sale, que usou como material o plástico de chinelos apanhados nas praias do Quénia.

Os vinhos Geographia são de pequenos produtores e o café que usam é um blend de arábias e robustas vindas de Timor, Angola, São Tomé e Cabo Verde.

Carregue na galeria para conhecer alguns dos pratos do novo Geographia.

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