Comer e beber

A nova pastelaria do Porto está cheia de bolos caseiros

Um família brasileira deixou tudo e mudou-se para o norte de Portugal para abrir o Carlotta Cake Boutique. E tudo começou com um caderno de receitas com mais de 50 anos.
Situado na zona da Foz do Douro, os proprietários quiseram dar ao Carlotta Cake Boutique um ar de caseiro e acolhedor.

Bruno Lopes era CEO de uma startup americana sediada no Brasil. Há um ano decidiu atravessar o Atlântico em busca de um sonho: abrir uma pastelaria para vender os bolos que a avó, Carlotta, costumava fazer quando ele era pequeno. Não veio sozinho: trouxe a mulher, um irmão e a mãe. E embora todos trabalhassem em áreas muito diferentes da restauração, havia um elemento que os ligava: o velho caderninho da avó Carlotta, onde estavam guardados alguns dos segredos mais saborosos da família.

Nascia assim o Carlotta Cake Boutique, na Foz do Porto, cujo nome é uma homenagem à matriarca que recebia os miúdos ao fim de semana na fazenda, no interior de São Paulo. As tardes de brincadeira acabavam sempre com a canalha cheia de fome, à espera que o forno terminasse de cozer a massa que perfumava a casa. “Era quase um ritual”, conta Bruno Lopes, 32 anos, um dos sócios da empresa.

A este traço romântico da história Bruno juntou-lhe a vertente de “marqueteiro” — vulgo marketeer, na versão portuguesa do brasil — e convocou a família para uma conversa sobre o assunto. “Chegámos à conclusão que o mercado pedia bolos caseiros. Com o empoderamento as mulheres deixaram de os fazer. E quando deixa de haver, você vai comprar mas nunca são caseiros.” Ideia simples, não? “O bolo de laranja, por exemplo, tem tudo menos laranja.”

Embora todos estivessem “num momento de sucesso” das suas carreiras — Gizelle Lopes, a mulher de Bruno estava ligada à moda, Neide, a mãe, era empresária, e Sérgio, o irmão estava a faturar com os mercados financeiros — a ideia de uma mudança de vida radical deixou-os a matutar até à decisão: voar para Portugal, onde apenas conheciam Lisboa, e aterraram no Porto. O plano era fazer um périplo pelo país e escolher uma cidade: pensavam ir até Braga, Coimbra, Lisboa mas já não saíram do Porto.

Escolheram a Foz, uma zona que tinha um paralelo com a sua própria história: “esta cidade mantém origens e raízes. A Foz tem esses dois lados, o moderno e tradicional. E é isso que fazemos no Carlotta Cake Boutique: uma mistura das receitas antigas com as novas tendências da doçaria”, conta Bruno, que inaugurou a loja com um serviço focado nos bolos para encomenda mas também para consumir na loja, acompanhados por um chá tradicional ou sumo.

O cardápio é “itinerante”. “Todos os dias temos um sabor novo, mas o nosso maior sucesso é mesmo o bolo Carlotta, além do bolo de cenoura e brigadeiro belga, ananás, de mel com especiarias.” Muitas destas receitas vieram do tal caderninho da avó, que embora esteja bem guardado na casa de Bruno existe uma cópia em exposição na loja. São, como diz, bolos com cara e sabor de bolo. “Não é daqueles design, tão bonitinhos que até dá pena estragar para comer.”

O serviço de encomendas, que Bruno aconselha serem feitas com pelo menos um dia de antecedência, é pensado para vender bolos inteiros e a lista é extensa (há 35 sabores): o Bolo Carlotta (29,90€),  de Ananás (24,90€), Red Velvet (24,90€) são apenas alguns dos mais populares.  Também há salgados: atum com quatro queijos (24,90€), bacalhau com requeijão, queijo brie com cogumelos e alho francês (29,90€). Em média, cada bolo chega para uma refeição de 8 a 10 pessoas.

Também os produtos são cuidadosamente escolhidos: o chocolate utilizado é o belga Callebaut, a manteiga é francesa e tudo o resto é comprado em produtores locais, como ovos e fruta. Para quem quiser almoçar, a loja vende também salgados e tem serviço de mesas: há creme de legumes, um bolo salgado e uma bebida quente. E, claro, todos bolos vendem-se à fatia (entre 2,20€ a 4.20€).

Carregue na fotografia para conhecer o Carlotta Cake Boutique.

 

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