Desporto

Eles fazem tudo para voltar ao Dragão

Pepe regressou em grande e confirmou a tradição: os craques portistas voltam sempre a casa. Uns regressos foram mais lendários do que outros.
Sérgio Conceicão e Rui Barros, dois craques que regressaram, na festa do título de 98

Não interessa os anos anos que jogaram pelo clube nem o tempo que estiveram fora. Os jogadores que passam pelo FC Porto ganham um carinho especial à camisola e tendem a fazer tudo para voltar, nem que para isso tenham que perder dinheiro. Segundo o próprio presidente, o último regresso ao clube é um exemplo disso mesmo. Pepe teria várias propostas mais vantajosas mas, de acordo com Pinto da Costa, preferiu voltar ao Dragão.

O central anunciou o regresso oficial ao FC Porto esta terça-feira, 8 de janeiro, e assinou um contrato por duas épocas e meia. Quando chegou ao Dragão pela primeira vez, em 2004, Pepe vinha do Marítimo e rapidamente encontrou o seu espaço na equipa, onde conquistou dois campeonatos nacionais, duas Supertaças, uma Taça e uma Taça Intercontinental.

Além das conquistas, Pepe levou do FC Porto a naturalização e a vontade de jogar pela equipa nacional. O agora internacional português nasceu em Maceió, no Brasil, e estreou-se pela seleção nacional em novembro de 2007, frente à Finlândia, quando já estava ao serviço do Real Madrid, para onde se tinha mudado nesse ano. Ao serviço da equipa espanhola conquistou três campeonatos, duas Taças e duas Supertaças. Mais importante do que esses troféus nacionais, o Real Madrid deu a Pepe três Ligas dos Campeões, dois Campeonatos do Mundo de Clubes e uma Supertaça europeia.

No início de 2017 a relação entre Pepe e o clube madrileno começou a ficar demasiado desgastada, com o central a queixar-se da política de renovação de contratos do Real, que não permitia que jogadores com mais de 33 anos assinassem por duas épocas. A decisão do português foi a saída e mudou-se para o Besiktas, onde ficou apenas época e meia até rescindir o contrato, em dezembro de 2018. Os problemas financeiros do clube terão estado na origem do mútuo acordo com os turcos.

“Além de todo o seu valor, e da vontade do treinador que ele ingressasse no FC Porto, sensibilizou-me imenso todo o seu entusiasmo em vir para o FC Porto. Assisti à pressão sobre ele de dois grandes clubes europeus, onde iria ter contrato cinco ou seis vezes maior do que iria ter aqui. Por isso, a sua determinação sempre foi jogar no FC Porto. Felizmente tem uma situação que não o obriga a ser escravo do dinheiro e vê-se que vem para o FC Porto inteiramente feliz”, disse Pinto da Costa.

A história de Pepe é apenas uma entre muitas e que demonstram a fidelidade que muitos dos craques guardam ao clube. Exemplos há muitos. Uns tiveram regressos triunfais, outros nem por isso. As passagens pelo estrangeiro, essas também não foram todas um sonho: alguns até tiveram direito a presença na lista das piores contratações de sempre dos clubes que os cobiçaram. Do menos feliz até ás lendas vivas, recordamos os regressos mais emblemáticos dos craques do Dragão.

Secretário

Só chegou à equipa principal do FC Porto em 1993, mas Secretário já tinha jogado no clube como júnior, antes de passar por Penafiel ou Braga. Três temporadas em que a conquista de dois campeonatos, uma Taça e duas Supertaças lhe valeram uma surpreendente transferência para o Real Madrid e o título de primeiro português a jogar no clube espanhol. No verão de 1996 vinha a público o caso Paula, sobre um alegado envolvimento de prostitutas durante um estágio da seleção nacional que não ajudou à integração à nova realidade.

Partilhou balneário com nomes como Secretário, Panucci ou Roberto Carlos e ainda fez 17 jogos num ano em que o Real venceu o campeonato. Nem isso o livrou de figurar na lista das piores contratações da história do clube, compiladas pelo diário espanhol “As”.

Regressou ao FC Porto no ano seguinte, bem a tempo de ganhar quatro campeonatos e a Taça UEFA. Terminou a carreira em 2005, no Maia, para onde se mudou depois de seis épocas e meia nas Antas.

Lucho González

O argentino chegou ao FC Porto em 2005, vindo do River Plate por 10 milhões de euros, e foi conquistando o carinho dos adeptos. Em pouco tempo tornou-se no “El Comandante”. Foi campeão por quatro vezes e dos jogadores mais utilizados da equipa. Saiu ao fim de quatro épocas numa transferência para o Marselha que rendeu 24 milhões. Lá, venceu um campeonato e duas taças de França, com uma passagem dececionante pela Liga dos Campeões, embora tivesse sido quase sempre titular.

A meio da época 2011/12, quando poucos o esperavam, regressou ao FC Porto de forma definitiva, onde voltou a ser duas vezes campeão, antes de sair para o Qatar a meio da época 2013/14. Numa entrevista ao jornal “Olé”, citada pelo “Mais Futebol”, afirmou em 2016 que gostaria de ter ficado mais tempo no FC Porto: “Gostava de retirar-me no FC Porto”.

Ricardo Quaresma

Embora tenha sido formado no Sporting, Quaresma acabou por se mudar para o FC Porto em 2004, regressado de uma experiência falhada no Barcelona. O início pode até ter sido complicado, com o extremo a ser acusado muitas vezes de ser egoísta. Aos poucos, as trivelas mágicas do extremo foram convencendo os adeptos e, depois de ter sido três vezes campeão pelo FC Porto, foi vendido em 2008 ao Inter de Milão, por 24 milhões de euros.

Voltou ao FC Porto em 2013 para duas épocas em que, apesar de não ter conseguido conquistar nenhum troféu, fez os adeptos voltarem a gritar pelo seu nome. Saiu em 2015 para o Besiktas, onde está ainda hoje, embora a saída tivesse sido um pouco polémica. “Depois da época que fiz, saí do FC Porto sem saber porquê. Nunca pedi para sair do FC Porto, nunca me explicaram o porquê e isso custou-me um bocado, porque é um clube que eu amo e que respeito para sempre”, desabafou no programa da “SIC”, “Alta Definição”, em 2016.

Rui Barros

Apesar de ter feito a formação como júnior no FC Porto, Rui Barros iniciou-se como sénior no Sporting da Covilhã e ainda passou pelo Varzim antes de voltar a vestir de azul e branco, em 1987. A época correu bem, o FC Porto conquistou a Supertaça europeia, a Taça Intercontinental, o campeonato nacional e a Taça de Portugal. Uma época de sonho que fez a Juventus perder a cabeça e levar o craque português para Turim.

Depois de seis épocas fora de Portugal – passou também pelo Mónaco e pelo Marselha, onde já fez menos jogos –, o Barros regressou ao FC Porto em 1994, onde ficou até ao final da carreira, em 2000. Um período que coincidiu com o mítico penta. O envolvimento do Marselha no escândalo de corrupção e consequente descida de divisão foi um dos motivos que trouxeram o português de volta ao Porto. Ainda assim, os anos no estrangeiro valeram a Rui Barros uma Taça de Itália e uma Taça de França. Hoje continua a ser um dos históricos do clube e faz parte da equipa técnica desde 2005.

Domingos Paciência

O homem dos golos foi formado nas Antas e saiu apenas para uma pequena viagem pelo estrangeiro entre 1997 e 1999, para jogar pelos espanhóis do Tenerife. A história do regresso foi conturbada. O avançado estaria prestes a ir para o Sporting, mas a transferência nunca se concretizou.

“Eu tinha um acordo com o José Veiga segundo o qual se, em algum momento, o FC Porto aparecesse para me contratar, o negócio com o Sporting ficaria sem efeito”, disse ao “Diário de Notícias”. “Telefonei de imediato ao José Veiga dizendo-lhe que o presidente do FC Porto me tinha ligado e que, afinal, já não ia para o Sporting”. Apesar de os leões oferecerem valores superiores, a decisão estava tomada. “Desde que decidi deixar Espanha, a minha vontade sempre fora regressar ao FC Porto, queria voltar a casa”.

Ao serviço do FC Porto ganhou mais de 18 títulos, entre campeonatos, Taças e Supertaças. Quando terminou a carreira de jogador, em 2001, integrou a equipa B do clube como treinador adjunto, para depois dar início à carreira de treinador.

Vítor Baía

Outro dos jogadores que em Portugal apenas representaram as cores do FC Porto. Desde a formação até chegar a sénior, fez um percurso ascendente e teve um dos pontos altos da carreira quando se mudou para Barcelona em 1996, já com cinco campeonatos nacionais no currículo. Foi levado para Espanha por Bobby Robson e José Mourinho, mas as lesões e as exibições menos conseguidas deram -lhe uma entrada direta na lista dos maiores flops da história do clube, pelo menos na compilação feita pelo diário “As”. O Barcelona mudou de treinador e Vítor Baía perdeu o lugar.

Regressou ao FC Porto ainda por empréstimo e com as teimosas lesões no joelho a complicarem qualquer tentativa de agarrar um lugar. Assinou em definitivo em 2000 e ainda foi bem a tempo de conquistar a Taça UEFA, Liga dos Campeões e Taça Intercontinental pelo clube de onde só saiu em 2007 com o estatuto de lenda.

Sérgio Conceição

Se os adeptos se apaixonaram pelo extremo durante a passagem pela equipa principal entre 1996 e 1998, o título que conquistou em 2018 elevou-o a um estatuto que poucos poderão igualar. A formação já a tinha feito nas Antas, saiu antes de chegar à equipa principal para representar o Penafiel, o Leça e o Felgueiras.

Conceição tem a particularidade de ter sido campeão em todos os anos que esteve no FC Porto. Depois dessa primeira experiência, mudou-se para Itália onde alinhou pela Lázio, Parma e Inter de Milão, onde conquistou um campeonato, duas Taças e uma Supertaça. O regresso ao FC Porto aconteceu na época 2003/04, antes de rumar novamente ao estrangeiro. Depois de 14 anos, voltou para ser treinador dos azuis e brancos, com o sucesso que se vê.

Fernando Gomes

Um dos emblemáticos capitães do FC Porto e que faz atualmente parte da estrutura do clube. O bi-bota, como é conhecido, juntou-se ao clube ainda nos escalões de formação e só saiu em 1980, já com dois campeonatos nacionais conquistados. No Sporting Gijón esteve apenas duas épocas, marcadas por sucessivas lesões que levaram o ponta de lança a regressar ao FC Porto, ainda a tempo de conquistar mais três campeonatos nacionais, três Taças, três Supertaças e o incontornáveis títulos internacionais – a Liga dos Campeões, Supertaça europeia e Taça Intercontinental. Esteve no FC Porto entre 1982/83 e 1988/89, antes de se mudar para o Sporting, onde terminou a carreira ao final de dois anos. Nem essa passagem pelo rival manchou o estatuto que ainda tem no Dragão.

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