Desporto

Um ano de inferno: Jonas renovou mas nunca jogou e marcou tão pouco

À 20.ª jornada, tem o pior registo de minutos jogados da carreira no Benfica e esteve ausente um total de 82 dias por lesão.

A pré-temporada foi dramática para Jonas, Luís Filipe Vieira e para os adeptos benfiquistas. A novela da renovação do contrato do avançado arrastou-se durante várias semanas e lançou uma dúvida: valeria a pena renovar o contrato de um jogador com 34 anos e com um historial recente recheado de lesões?

A questão foi tão polémica que até Luís Filipe Vieira se viu forçado a abordar o assunto em público, embora tenha deixado o peso da responsabilidade do lado de Jonas. “Temos o nosso objetivo de contar com Jonas. Há muita especulação e alguma dúvida têm de falar com Jonas”, disse em agosto em declarações à imprensa, logo após a vitória frente ao Fenerbahçe, a contar para a pré-eliminatória da Liga dos Campeões.

Da parte dos adeptos, a opinião era quase unânime: o melhor goleador dos últimos anos deveria manter-se na equipa. Havia, no entanto, quem apontasse o cada vez maior número de jogos perdidos devido a lesão. O problema de Jonas nas costas, que o levou a estar ausente por mais de um mês na temporada anterior, era um dos argumentos esgrimidos. Mesmo com as supostas propostas milionárias vindas da Arábia Saudita, o brasileiro chegou a um acordo para renovar até 2020.

Com a saída de Luisão o avançado passou a ser o mais velho do plantel com 34 anos. Seis meses depois da tão pedida renovação, Jonas volta a ficar de fora, desta vez de mais um dérbi frente ao Sporting, que joga na Luz a primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal esta quarta-feira, 6 de fevereiro. Apesar de já treinar, o brasileiro voltou a ficar de fora da convocatória. Completa-se assim pouco mais de um mês de ausência desde o último jogo.

A pouco mais de meio da temporada, os números são esclarecedores: esta é, até ao momento, a pior temporada de Jonas no Benfica, isto no que toca a minutos jogados. As lesões têm sido uma constante ao longo da carreira e da época, o que volta a colocar uma dúvida na cabeça dos adeptos: teriam os mais céticos razão, quando diziam que talvez não valesse a pena renovar o contrato do ponta de lança?

A fazer a quinta temporada ao serviço do Benfica, o brasileiro tem até ao momeno 942 minutos jogados no total de todas as competições. O pior registo de sempre até à 20.ª jornada, isto quando comparados os valores desde a época 2014/2015. Um valor que está muito longe dos 2138 minutos que levava a época passada por esta altura. Aliás, a temporada em que no mesmo período contou menos minutos foi 2016/17, quando esteve lesionado entre agosto e dezembro – e mesmo assim somou 1120 minutos.

Jonas não conseguiu começar a presente época ao mais alto nível, tendo feito o primeiro jogo apenas no final de setembro, frente ao Desportivo das Aves. Desde aí que tem mantido alguma irregularidade, sendo que houve jogos em que nem saiu do banco. Mesmo assim, estes minutos permitiram-lhe marcar nove golos, o mesmo número que tinha alcançado em igual período da época 2016/17.

Tendo em conta a forma atribulada como correu a primeira metade destas duas épocas, não é de estranhar que o registo tenha sido baixo, quando comparado com as restantes. Este número de golos fica aquém dos 14 marcados na época de estreia, dos 22 golos de 2015/16 e ainda mais dos 27 que já levava no ano passado por esta altura.

De acordo com dados disponibilizados pelo “Transfermarkt”, só neste ano, Jonas esteve lesionado durante um total de 82 dias. Registo pior só mesmo na terrível época 2016/2017, com uns impressionantes 143 dias ausentes por lesão.

Apesar da ausência dos últimos dois dérbis, o regresso do goleador parece assegurado e deve acontecer nas próximas jornadas. Ficam as dúvidas se será de vez, ou se o brasileiro ainda terá que enfrentar mais dias de paragem até maio. Pior: pode mesmo ser o último ano de Jonas no Benfica. E o próprio reconhece que a sua carreira está bem mais próxima do fim. “Pretendo terminar a minha carreira aqui mas no futebol nunca se sabe. Confesso que já estou a chegar ao fim da minha carreira”, disse em entrevista ao “Esporte Interativo”, em dezembro de 2018.