bola

Mats Magnusson: “Os meus filhos viram-me bêbedo, é a minha maior vergonha”

A biografia do histórico avançado sueco do Benfica conta histórias incríveis da sua luta contra o alcoolismo.
Um dos maiores ídolos de sempre do Benfica.

Mats Magnusson brilhou no Benfica nos anos 80 e 90, mas o final da sua carreira foi o início do descalabro da vida pessoal. Na mais recente biografia do antigo avançado sueco são revelados episódios arrepiantes da luta de Magnusson contra o alcoolismo. O livro, escrito pelo jornalista e amigo Marcus Birro, chama-se “Mats — O Regresso do Inferno”.

Em entrevista à imprensa sueca, Magnusson revelou algumas dessas histórias inéditas. Uma delas envolve o regresso ao relvado do Estádio da Luz, durante um jogo amigável entre os amigos de Zidane e antigas glórias benfiquistas. O problema? O avançado sueco entrou em campo completamente embriagado.

“Aquele jogo contra Zidane… é terrível pensar nisso. Foi demasiado. Estava bêbedo no relvado e a primeira coisa que fiz quando entrei foi cair. Foi uma viagem de um fim de semana e eu comecei a beber logo no avião. Não estava muito bêbedo, só um pouco. Lembro-me de cair quando estava a entrar no autocarro que nos levava do avião ao terminal. Fiz uma grande ferida na perna e demorou muito a cicatrizar”, conta.

Ainda assim, este não foi o pior momento da sua vida, como revelaria mais tarde nessa entrevista.

“Nunca me vou esquecer do dia em que fui ver um jogo de hóquei do Sebastian [filho mais velho] em Skellefteå. Ele puxou-me para o lado e disse-me: ‘A partir de agora, não quero que venhas aqui depois de te embebedares, pai’. O pior de tudo foi o que fiz aos meus filhos. Eles viram-me bêbedo, é a minha maior vergonha”.

E continua: “Podia beber muito e não ficava agressivo ou desagradável. Divertia-me. Mas depois comecei a beber cada vez mais e acabei a beber sozinho. Escondia-me dos outros para me poder enfrascar à vontade. Não queria saber o que bebia, tudo o que via era a percentagem de álcool. (…) Podia pegar numa garrafa de uísque e bebê-la de um golo”.

Hoje, com 54 anos, Magnusson revela que deixou o álcool de vez, emagreceu e apaixonou-se por uma brasileira chamada Waldenice — de quem tem um filho de cinco anos, Benjamin.

Com mais ou menos histórias embaraçosas, Mats Magnusson será sempre recordado pelos golos que marcou em Portugal.