Desporto

Sporting quer mais quatro títulos – e vai pôr os deputados a debater o tema

O clube quer passar a ter 22 títulos de campeão. A petição chega à Assembleia a 18 de janeiro.

A 18 de janeiro, os deputados da nação que ocuparem os seus lugares na Assembleia da República terão em cima da mesa vários temas em discussão. Um deles não irá colocar em debate os direitos dos trabalhadores, orçamentos ou o estado do SNS. Os grupos parlamentares vão esgrimir argumentos futebolísticos, na sequência de uma petição promovida pelo Sporting, que reclama o reconhecimento de mais quatro títulos de campeão nacional de futebol. O documento apresentado por Paulo Almeida, gestor de produto do clube, recolheu quase cinco mil assinaturas e pede que estes troféus passem a ter outro estatuto no seu palmarés. Em caso de sucesso, e à boleia deste reconhecimento, Benfica, FC Porto, Belenenses, Olhanense, Marítimo e Atlético, terão direito a mais alguns títulos de campeão.

A proposta, defendida maioritariamente pelo Sporting, foi apresentada a 30 de maio de 2018 por Paulo Almeida à Comissão da Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto e chegará agora ao debate alargado. De acordo com o jornal “A Bola”, a discussão deverá contar com a intervenção de cada um dos grupos parlamentares que terão para isso três minutos.

Paulo Almeida foi ao Parlamento defender a sua petição

“Os Campeonatos de Portugal são a origem do campeonato nacional como hoje conhecemos. Faz-me muita confusão Benfica, FC Porto, Belenenses, Olhanense, Marítimo e Atlético [enquanto Carcavelinhos] não se juntarem de uma forma mais forte a este tema. Não estamos a falar de coisas que não aconteceram, elas aconteceram, agora cabe à FPF reconhecer”, disse na altura Paulo Almeida ao jornal “O Jogo”. “Faz-me confusão que a FPF não reconheça as primeiras 17 edições, porque não estamos a honrar jogadores e presidentes. Tem de ser reposta a verdade”.

A ambição não é nova e ganhou maior destaque em 2016 quando, na apresentação do livro “Almanaque do Leão”, assinado pelo jornalista Rui Miguel Tovar, Bruno de Carvalho contestou o número de títulos do clube. “Quero o 23º título de campeão nacional. [… ] É por direito próprio e por factos que a história documenta que temos 22 títulos nacionais de futebol conquistados. O futebol não começa, por decreto e para outros, por uma data escolhida porque dá jeito ou porque lhes convém”, disse à época o presidente do Sporting, citado pelo “Record”.

Chegaram a surgir notícias de uma possível segunda edição do livro, com os dados revistos pelo Sporting. “A notícia é verdadeira. Como não alinho neste revisionismo, abdico do nome, prefácio e agradecimentos, nesta segunda edição. Abraço”, esclareceu ao “Record” o especialista em futebol.

Questionado pela 4MEN, explica o caso: “Na hora falou-se nisso mas não houve nada porque a segunda edição só existiria se o Sporting fosse campeão. Porque aí o Sporting iria publicar o almanaque do 23.º título de campeão, enquanto eu só defendia o 19.º”.

Bruno de Carvalho e Rui Miguel Tovar na apresentação do Almanaque do Sporting

Este não foi o primeiro almanaque que Rui Miguel Tovar escreveu. Já havia feito versões idênticas para FC Porto e Benfica. Não era habitual, contudo, verificar-se uma intervenção dos clubes no conteúdo das obras. “Falou-se com o Marketing [do Sporting] antes do livro sair, sobre os 18 títulos. Eu expus o meu ponto de vista e o almanaque foi adiante. Esteve nas bancas dois meses – foi lançado em agosto e a apresentação oficial foi em outubro – e durante a apresentação oficial é que se gerou toda aquela conversa entre 18 ou 22 títulos e eu defendi os 18. A partir daí foi um rastilho”.

Sobre o assunto, Rui Miguel Tovar continua a defender que o clube de Alvalade tem apenas 18 títulos de campeão nacional. “Acho bem que se pergunte. Perguntar não ofende e é bom provocar a investigação, mas, para mim, o Sporting tem 18 títulos. Para mim, o Marítimo nunca foi campeão nacional, nem o Carcavelinhos, porque eles ganharam o Campeonato de Portugal e, como está nos estatutos da Federação, o Campeonato de Portugal faz a ligação com a Taça de Portugal. Portanto, não faz sentido nenhum misturar os títulos”.

Para quem fica com dúvidas sobre os motivos de ser um ou outro número, a explicação do jornalista é simples: “O que dizem os regulamentos da Federação dos anos 30, é que o Campeonato de Portugal substitui-se pela Taça de Portugal e o Campeonato da I Liga substitui-se Campeonato Nacional da I Divisão”.

Considerando que “o Parlamento tem assuntos mais prementes para tratar”, o jornalista lembra ainda casos semelhantes que aconteceram noutros países. “Houve essa dúvida em muitos países como em Itália e no Brasil e não tenho noção se o Parlamento abordou esse assunto ou não. Sei que a Justiça desportiva fez um comunicado e a partir daí os clubes aceitaram”, recorda. “O que devia ter acontecido aqui era que a Federação devia ter dito de sua justiça de forma oficial. Não havia necessidade de ir até à última instância como se o destino desses clubes dependesse disso. Não faz sentido isso ser motivo de discussão no Parlamento”.

Seja como for, o tema será lançado para debate na Assembleia da República a 18 de janeiro. Pedro Ó Ramos, vice-presidente da Comissão da Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, declarou em março de 2018 que “o reconhecimento de títulos” não cabe ao Parlamento, em declarações ao “Correio da Manhã”, citadas pelo “Expresso”. O futuro é uma incógnita, mas caso a petição consiga o seu objetivo final, os clubes terão direito a juntar títulos de campeão ao palmarés. A saber: quatro para Sporting e FC Porto; três para Benfica e Belenenses; e um para Belenenses, Atlético e Olhanense.

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