Hello, Ladies

A vida secreta da cam girl mais famosa de Portugal

Bruna (nome fictício) conta à 4MEN como é ser uma trabalhadora de sexo online: ela faz striptease, vende vídeos, fotos e até cuecas usadas.

A Bruna é estudante de Gestão.

O email chegou à nossa redação com o título “Apresentação de Bruna Valentino”. Tinha um início promissor: “Sou a cam model mais conhecida em Portugal”. Estudante do curso de Gestão, viciada em séries, Bruna começou a fazer sessões de sexo à frente de um ecrã no ano passado. Já conhecia o negócio mas até tirar a roupa foi preciso uma “oportunidade”.

Sem rodeios, assume que se trata de um negócio: “Vi essa oportunidade porque não existia nada do género em Portugal. Com bom gosto, refinado, não existia. Era um lugar por preencher”, conta à 4MEN. Com 24 anos, conhece os meandros do sexo online desde os 19, altura em que começou a aceder a dois dos sites internacionais mais conhecidos. “Sempre fui uma pessoa de mente aberta, sem preconceitos. Experimentar foi natural. E gostei.”

Foi nessas plataformas estrangeiras — cam4 e chaturbate — que se despiu pela primeira vez para uma audiência. “Estava perfeitamente à vontade. Sabia o que devia fazer, passava muito tempo a ver outras modelos, e nunca me senti envergonhada. Até porque não mostrava a cara”, revela a portuguesa. “Segui o exemplo das que mais gostava e fiz o mesmo: strip e masturbação. Por vezes há clientes com pedidos especiais, que avalio e faço um preço, caso aceite.” Pedir para vê-la a tomar banho é talvez o mais vulgar desses “pedidos especiais”. 

O funcionamento destes sites internacionais é simples: as modelos (que podem ser mulheres, homens, casais e transgéneros) costumam surgir em trajes menores mas não cobram apenas por aparecer. Os clientes podem pagar para fazer pedidos ou para chegar a certos objetivos, que são definidos pela modelo. Por exemplo, para tirar a parte de cima, a modelo pode estabelecer um mínimo de tips (gorjetas) até atingir esse “goal”. E quem diz tirar a parte de cima, diz fazer toda a espécie de biazarrias, tão abundantes na Internet. Lá iremos.

Faculdade, amigos e namorados

Bruna não nasceu com este nome. Mas foi assim que se apresentou quando chegou à redação da 4MEN para fazer uma entrevista, uma sessão fotográfica e um vídeo. Impôs duas condições: não podíamos fotografar ou filmar o rosto e a entrevista teria de ser feita a partir das duas da tarde. A razão? Constrangimentos profissionais. Embora seja uma espécie de freelancer — e por isso dona do seu tempo — tem horários a cumprir: todos os dias, a partir das 22 horas, o seu quarto transforma-se numa espécie de plateau onde ela é a única protagonista.

“Tiro tudo do sítio, monto um espaço que tenho para os show, para ter um plano bonito, que isso também conta. Faço tudo de forma profissional e apelativa. Afasto a cama, mudo a carpete, instalo um móvel que uso para pousar o computador quando começo o striptease, nesta fase em pé. O resto do show continua no chão, com um tapete bonito, muitas almofadas e um ambiente agradável. No fim da noite ponho tudo no sitio”, conta a modelo, discreta, que vive sozinha na zona de Lisboa, e guarda este segredo de muita gente: família e amigos, quase ninguém sabe quem é a Bruna Valentino.

“Conto às pessoas da minha confiança. Com a minha família seria impossível partilhar, são demasiado conservadores. A intenção é que isto continue a ser o meu mistério, não quero arriscar alguém descobrir a minha identidade”, diz a cam girl, que escolheu o nome numa busca pelo Google. “Decidi pesquisar nomes para raparigas como se fosse escolher o nome de um bebé. Bruna chamou-me logo a atenção e menos de cinco segundos depois juntei-lhe o Valentino.”

Também é difícil manter uma relação amorosa, até porque nem todos os homens lidam bem com esta vida secreta de Bruna.

“Não tenho namorado. Já tive um que sabia o que eu fazia e não houve qualquer problema. Tenho de estar rodeada de pessoas que aceitam o que eu faço senão não faz sentido. E eu não vou deixar o meu trabalho, que é das coisas mais felizes da minha vida. Sou super realizada neste trabalho e na faculdade.”

Em janeiro deste ano, passou a investir em Portugal: fez um site, arranjou quem a fotografasse, comprou material de iluminação e montou uma operação de marketing nos principais sites portugueses de classificados para adultos. Abandonou as plataformas internacionais para se exibir no mercado nacional, sempre pelo Skype. No site que lançou em fevereiro, a cam girl portuguesa garante que “todos os shows são em tempo real, sem gravações”. “Estará sempre a falar com a Bruna”, assegura. “Converso com as pessoas, mesmo que queiram só fazer perguntas.”

Há três packs: B’Silver (10min/14€), B’Gold (15min/17€) e o B’Diamong (20min/22€). Todos os shows “incluem masturbação com brinquedos e orgasmo”, mas a imagem é de uma mulher apenas do pescoço para baixo. Talvez isso seja um afrodisíaco ainda mais poderoso para quem investe no tempo de Bruna Valentino: mostrar sem realmente mostrar sempre foi um bom início de conversa.

“Não é como a pornografia na Internet, gosto de fazer as coisas com elegância, uso sempre um colar bonito, não é preciso de ser vulgar.”

Claro que a Internet é um paraíso de coisas bizzaras, especialmente quando o assunto é sexo. Bruna experimenta-o numa base diária: “Já ouvi todo o tipo de taras. Há umas semanas houve um homem que a única coisa que queria era ver-me beber copos de leite e derramá-lo em cima de mim”, conta. “Não aceitei. Há outros mais normais, como aconteceu há dias, com um cliente que queria era ver-me como um homem. Durante uma hora só fiz isso, simulei que tinha um pénis, masturbei-me. Também há muitos casais que me procuram, e são quase sempre as mulheres a fazer o contacto: querem imaginar o marido com outra, têm sexo à minha frente.”

O negócio das cuecas usadas

Uma das ideias que implementou no site foi inspirada numa modelo estrangeira que seguia no Cam4, o que permitiu acrescentar outras vertentes ao core business, que são os shows: também vende vídeos (10€/10min), fotografias (3€/unidade) e cuecas usadas (10€). Na gíria comercial, poderia dizer-se que este último artigo é o que tem mais saída, uma espécie de hot sale, que a obriga a ir aos correios quase todos os dias.

“O cliente escolhe a cor e o formato, se quer fio dental, tanga, normal. Há alguns que querem as que eu uso durante o show, outros pedem-me para as usar durante uma noite, por exemplo, e que as envie no dia seguinte”.

Se neste momento o negócio parece lançado, quando a faculdade arrancar, em setembro, Bruna diz que terá de abrandar o ritmo de trabalho. Pelo menos durante o dia, porque há muito para fazer além das seis horas em que está disponível no Skype.

“Tenho sempre mensagens para responder, pessoas que me compram vídeos ou fotos através do site, emails para enviar. Dá trabalho mas vale a pena e compensa financeiramente. Ainda assim, não estou aqui apenas pelo dinheiro, gosto muito do que faço.”

Bruna não gosta de falar em números, mas as contas não são difíceis de fazer. A partir do momento em que liga a câmara, por volta das tais 22 horas, geralmente só a desliga depois das 3 da manhã. As chamadas seguem-se umas às outras. “Não há marcações, é por ordem de chegada.” Raramente tem folgas — “por opção” — e por noite consegue tirar uma média de 200€ .

“O dinheiro faz-me falta e a intenção disto é ajudar a pagar a minha faculdade, que é cara. Se me pergunta se sou obcecada com o dinheiro, digo que não, mas sou a pessoa mais poupada do mundo. Não sei o dia de amanhã. Vai tudo para as minhas poupanças. A minha família diz que eu tenho daquelas mentalidades mais velhas, que só penso em juntar. Se conseguir poupar para ter estabilidade daqui a dez anos será o ideal.”

Para isso conta com alguns clientes mais generosos, capazes de lhe dar gorjetas muito acima dos preços que ela cobra. A esses Bruna tenta compensar com vídeos e fotos oferecidas. Tem vários tipos de clientes: entre os 30 e os 40 anos, mas também mais próximos da sua geração. Nem todos procuram o mesmo, há quem queira apenas conversar. O velho clichê do homem que procura um ombro amigo numa prostituta, aqui também tem o seu equivalente: há clientes com quem troca mensagens todos os dias.

“Contam-me como foi o dia, tentam saber como foi o meu, têm necessidade de falar. Sou uma espécie de confidente.”

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