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Crítica: um BMW descapotável, tricilíndrico e familiar. Será que faz sentido?

O crítico da 4MEN andou ao volante do BMW 218i Cabrio e diz-lhe tudo o que pensa.

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Olá a todos e sejam muito bem-vindos à crónica desta semana. O meu nome é Rafael Aragão e desta vez trago aqui uma estreia: um BMW. Será o primeiro ensaio que faço a um beemer, mas não esperem que, por isso, venha aqui com paninhos quentes e formalidades pouco ou nada próprias da minha pessoa. Até porque nem é preciso.

É do entendimento geral que os BMW são ótimos carros. Excelentes, até. A não ser que estejamos a falar do série 5 GT. Esse é mau. Felizmente, a malta lá na Baviera percebeu isso e deixou de o fabricar. Infelizmente, passou a fabricar o série 6 GT.

“Malta, este conceito de fastback de turismo com um perfil anormalmente alto não é lá grande coisa e a malta não parece estar a gostar. O que fazemos? Já sei. Exatamente o mesmo, mas noutro modelo.”

Acredito que o discurso na empresa tenha sido diferente, até porque o novo modelo está mais bonito e, ao que parece, melhor – terei de o ensaiar para vos dar a minha opinião – mas fica sempre no ar aquela questão acerca do que lhes terá passado pela cabeça.

Voltando ao carro que vos traz aqui: o 218i Cabrio. Como o nome indica, é um série 2, motor 1.5 litros tricilíndrico turbo a gasolina e descapotável. Até aqui, toda esta receita indica um carro meio estranho. Um híbrido entre familiar de quatro lugares confortáveis com carro de passeio, passando por um coupé desportivo.

Este série 2 descapotável tem como base aquele que é considerado por muitos – eu incluído – como a plataforma mais desportiva da BMW. Cortaram-lhe o tejadilho e meteram-lhe uma capota de lona. Talvez para não adicionar muito peso e manter espaço da bagageira, enquanto mantém o carácter dinâmico do carro.

Eu preferia uma capota rígida, confesso. Acho que o incremento de peso era compensado pelo design mais elegante e pela qualidade a bordo. Os coupés da BMW são obras de arte automóvel, não me entendam mal, mas os descapotáveis deixam algo a desejar.

O problema dos tricilíndricos é que não são particularmente charmosos. Estou a ser simpático. Não são nada charmosos

A insonorização é relativamente má. Não é tão mau quanto não ter tejadilho, claro, mas ficamos a desejar que se ouvisse menos ruído exterior, em vez de deixarmos de pensar no assunto. Felizmente, e como deixa passar ruído, sentimos o motor de três cilindros a roncar ali a partir das quatro mil rotações.

É um motor curioso. Parece que não está lá, mas de repente está, e depois volta a ir embora, e aparece de novo a gritar, e por aí adiante. É o problema dos tricilíndricos: não são particularmente charmosos. Estou a ser simpático. Não são nada charmosos.

Estes motores estão para os automóveis como o Eduardo Madeira está para a capa da GQ. Por outro lado, compensam nos consumos. Este 1.5 twin scroll da BMW é excelente nesse equilíbrio. Tem 134 cavalos e 220Nm de binário o que chega para 8.8 segundos até aos 100 e top speed de 212 km/h, tudo isto com um consumo que, sem abusar, fica em torno dos 6 litros/100km. Nada mau para um “carro de passeio”.

Talvez seja isto que se pretende. Dar um pouco de emoção num descapotável feito para dar todas as possibilidades a quem o comprar. Eu gostei, como podem ver pelo episódio do Sillyndrada.

Pessoalmente escolheria o coupé que é absurdamente giro, mas percebo a escolha do descapotável. Afinal de contas um descapotável, tricilíndrico, familiar é capaz de fazer todo o sentido.

BMW 218i Cabrio
Desde 39.079€

Para estacionar em noites de diversão: 6/10
Para a família ir de viagem: 6/10
Para papar topos de gama nos semáforos: 3/10
Para diversão on board: 5/10

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