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Crítica: o BMW perfeito para dar uma volta ao mundo

O crítico da 4MEN sentou-se no espaçoso e pontente BMW 630d GT e diz-lhe tudo o que precisa de saber.

Olá a todos, caríssimos leitores. Já somos mais que dois? Já disseram aos vossos amigos que aqui há crónicas mesmo boas? Então vamos lá. Antes de começar, queria deixar aqui uma nota. São experiências como esta que me fazem gostar tanto de veículos motorizados. Não é todos os dias que ensaio carros topo de gama tão versáteis e agradáveis como este BMW.

Já tive com muitos carros nas mãos, mas desta vez, em virtude da minha profissão principal, fiz cerca de 1500 quilómetros a percorrer algumas das melhores experiências gastronómicas e paisagísticas que alguma vez tive. É um projecto que dentro em breve estará disponível para todos verem. Comecei no restaurante 100 Maneiras, do Chefe Ljubomir Stanisic, juntamente com o seu braço direito e Chefe Executivo Vítor Adão e quase que me vieram as lágrimas aos olhos – pela comida e pela simpatia. Além disso, este 630d GT Luxury ficava que nem ginjas estacionado à porta.

Pouco se via do restaurante, é certo, mas quem passava ficava logo apresentado. Passei, também, pelo Six Senses Douro Valley, um dos mais lindos resorts do país, com uma fantástica cozinha gerida também por Ljubomir e chefiada pelo Chef Luis Borlido, tudo isto sem esquecer os fantásticos sabores do restaurante vila-realense Chaxoila, tradicionais e de deixar saudades a quem lá vai.

Enfim, como podem ver, foi sempre a dar ao dente, sem ligar a complexos ou elegâncias, e a aproveitar sempre para absorver tudo quanto pudesse, não fosse o nosso país recheado de boas gentes. Como devem imaginar, a balança ainda está intocada, em casa, sem receber o normal, e provavelmente bem mais pesado, toque dos meus pés. Viram?

Consegui falar de comida e de pés no mesmo parágrafo. Bem, mas já chega de comida. Falemos do carro. O motor deste série 6 é um 6 cilindros em linha, 3 litros com 265 cavalos. Isto pode até nem ser espantoso – não é – mas os 620 newtons de binário já são outra conversa. São 620 newton de binário disponíveis logo às 2000 rotações. Isto é mais que suficiente para enfiar uma alfaia agrícola neste carro e metê-lo a lavrar. Nem mais.

Vai dos 0 aos 100 km/h em apenas 6,1 segundos

Meninos modernos que queiram começar um negócio todo avantgarde-hipster-agro-cocktail têm aqui uma solução para lavrar os campos. Lamento mas é uma necessidade. Caso não saibam, os legumes não crescem com passes diários para festivais de verão ou com fotos de instagram do Revenge of The 90’s.

Este motor é suave e potente o suficiente para demorar, apenas, 6,1 segundos a chegar aos 100 à hora e pesa exatamente 1900 quilos. Se o carro fosse um pouco maior, era meter-lhe umas lagartas e estava pronto para o exército. Se isto não é um excelente cartão de visita, não sei o que é. Ainda assim, e apesar de ter adorado este carro, acho que, pessoalmente, escolheria a versão a gasolina com a mesma potência porque pelo que vi a diferença de preço não justifica o motor a gasóleo. São 15 mil euros a mais e a este nível de carro o consumo não é a questão principal. Conseguem-se consumos muito bons, claro; em especial porque é um carro estradista e não de cidade.

Em autoestrada, a velocidades em torno dos 150 o carro estava a consumir uma média de 8 litros aos 100, o que é um excelente valor. A 100 ou 110 era bem capaz de fazer 6 litros ou até menos. Para terem uma ideia, a 150 quilómetros à hora o carro rola às 1500 rotações. É o que vos digo: este motor é um bicho. Mas prefiro a gasolina. Ainda assim, o que mais me espanta não são as motorizações. É o carro em si.

É excelente de conduzir, tem muito espaço e não é feio como muitas marcas parecem levar-nos a crer. Ter espaço não é sinónimo de ser aborrecido. E a prova está à vista de todos os que já se cruzaram com um destes modelos. Calma, não pensem que acho tudo bom no carro. Claro que não. Uma coisa aqui, outra ali, mas nada de maior. Nem é suposto.

Melhor só se viesse com uma adega vintage

Quando uma marca faz um carro deste segmento, tem de ter em conta que nada – ou quase nada – pode falhar. E raramente falha. Além do conforto e da satisfação de condução, os passageiros não são esquecidos. Não gostasse eu tanto de conduzir e diria que este carro é feito para os passageiros dos bancos de trás. Uma autêntica primeira classe de avião, com a vantagem de não ter de fazer check-in. Cortinas nas janelas, ecrãs com TV e DVD, climatização de topo com bancos aquecidos, ventilados e reclináveis, tejadilho panorâmico, etc. Melhor que isto só se o carro viesse com uma adega vintage. Não vem, mas pode levar-nos a uma com todo o conforto e sofisticação.

É verdade que com todos estes extras e mais alguns, o valor do carro facilmente atinge valores um pouco assustadores – o delicioso sistema de som Bower & Wilkins custa uns singelos cinco mil euros – mas quem vai comprar um carro destes não pode estar preocupado com o preço. É um carro maravilhoso para fazer uma volta ao mundo, por exemplo.

Primeiro, por ser mecanicamente irrepreensível e um verdadeiro tanque e, depois, por todo o conforto e espaço que dá para levar tudo e mais alguma coisa. Dá para a família inteira. O casal e três filhos, as malas e se a sogra insistir muito cabe perfeitamente no pequeno T1 que é a bagageira. Estou seriamente a pensar que em vez de comprar casa em lisboa, talvez seja melhor comprar um destes. Sobra dinheiro suficiente para mais três ou quatro e dessa forma até sou bem capaz de fazer a tal volta ao mundo até que as saudades me façam voltar. Que odisseia seria.

BMW 630d GT
Desde 90.540€

Para estacionar em noites de diversão: -1/10
Para a família ir de viagem: 999/10
Para papar topos de gama nos semáforos: 8/10
Para diversão on board: 10/10

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