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Crítica: O novo Ford não é um predador, mas disfarça bem

Rafael Aragão encontrou o carro perfeito para escapar às multas de estacionamento.

É como jogar às damas.

Hey, malta! Curtiram a crónica anterior? Calma… fiquem a saber que foi uma coisa única. Nenhuma outra crónica terá carros daquele segmento e nível de preço. Isto a partir de agora é sempre a subir. Qualquer dia vou estar a escrever-vos desde Califórnia, ao volante de um exemplar carro de luxo orientado para os magnatas deste mundo. E só para vos mostrar o que digo, esta semana tenho para vós um fantástico, um exclusivo… Ford Ka… Plus!

Ah pois é! Achavam que era só um singelo e aplicado Ford Ka? Nada disso. Aqui com o Aragão é tudo à grande. Se bem que o carro é muito pequenino, apesar de ser maior do que a anterior versão. O que não é propriamente difícil porque era efetivamente muito pequena. Mas atenção, porque ainda assim, dava para tudo. Tudo mesmo. Por experiência própria posso garantir-vos que a única coisa que não dava para fazer lá dentro era conduzir.

O carro era apertado e dava a sensação que estávamos a conduzir um remendo. Algo que nos deram para as mãos porque não havia alternativa e, se houvesse um buraco assim ligeiramente maior – o que é normal nas estradas portuguesas – ele ficava lá. Bem confortável, como se espera de um bom remendo. Este novo Ka+, por outro lado, é maior. Não maior no sentido de ter muito espaço, mas no sentido de ser possível conduzi-lo. Tenho de dar a mão à palmatória: a posição de condução é super confortável. Não sentimos que estamos mal sentados nem estamos sistematicamente à procura da posição ideal para ficar bem sentado. O conforto do carro também é muito bom para um carro que não tem propriamente a intenção de ser confortável.

É um citadino. Isso significa que o carro deve ser ágil, suficientemente confortável para viagens entre os 15 e 30 minutos e camuflar-se muito bem com o seu redor para fugir ao seu maior predador… os senhores da EMEL. Este Ka+, nesta versão Black&White que, como o nome indica, tem pintura em preto e branco, parece uma Zebra para esta savana de cimento. Um citadino deve também ser manobrável, ter um motor elástico o suficiente para acelerar quando é preciso e, quanto a isso, tenho algumas coisas a dizer. O motor é um 4 cilindros, 1.2 litros com 85 cavalos com uma caixa manual de 5 velocidades. Não tem uma alta cilindrada? Não. A potência não é nada de especial? Não. Isso significa que o carro não presta? Não. Nada disso.

Continuo a surpreender-me pela mecânica da Ford, que é uma das poucas marcas no mercado que pode dizer que têm uma boa mecânicaA caixa é assertiva e suave, a direção é confortável sem ser leve e o motor, apesar de sentir que podia ter mais potência, é suficiente para acelerar quando é preciso e manter os consumos a níveis aceitáveis para cidade.

O chassis é outra coisa em que a Ford é mestre. Neste modelo isso não se aplica por duas razões: primeiro, não o testei e, segundo, um carro citadino deve mover-se bem em cidade mas as acelerações e as velocidades em curva são baixas e não exigem rigorosamente nada a nível torsional e de rigidez, daí não haver interesse algum em desenvolver um bom chassis para este tipo de carros.

Já no Fiesta o caso é completamente diferente, até porque existe uma coisa chamada Fiesta ST. Fica prometido uma crónica assim que for possível. Voltando ao Ford Ka+, uns dias após o teste já havia um no meu bairro, tal e qual como este, na versão Black&White. Não sei o que isto quer dizer em relação ao carro, mas cada vez que saio de casa para ir trabalhar, lá está ele, prostrado sobre uma poça de água, a saciar a sua sede para mais um dia de ação a correr por essa savana lisboeta fora.

Ford Ka+ Black&White Edition
Desde 11.721 €

Para estacionar em noites de diversão: 7/10
Para a família ir de viagem: 4/10
Para papar topos de gama nos semáforos: -2/10
Camuflagem anti-EMEL: 999/10

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