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Crítica: o novo Classe A da Mercedes foi de Catarina Furtado a Kendall Jenner

O crítico da 4MEN sentou-se ao volante do novo e mudado A180d e não tem dúvidas: ele quer mesmo ter um destes na garagem.

Diz-se que em equipa que ganha não se mexe. E foi exactamente isso que a Mercedes fez com o seu campeão de vendas, o Classe A. Não mexeu…em muito pouco. Digamos que mudou tanto neste carro como eu mudo de conversa quando os meus pais me perguntam quando é que eu lhes dou um neto. Mudou mais o Classe A do que o Ricardo Salgado mudou os titulares das suas contas. Mudou mais… bem, vocês já perceberam a idea.

Este novo Classe A tem tanto de igual com o anterior como eu em relação a um modelo de roupa interior. A única coisa que temos em comum é o facto de ambos usarmos roupa interior. Bem, se calhar não temos assim tanto em comum. O que eu quero dizer é que este novo Classe A está diferente – e isso é uma coisa boa. Se em equipa que ganha não se mexe, a Mercedes fez muito bem em mexer.

Eu gostava da versão anterior. Ensaiei, há uns anos, o A200d, com o seu motor de dois litros e 134 cavalos, e gostei muito. O carro era robusto, notava-se que tinha um motor pujante e estava cheio de qualidade e conforto. É uma comparação um pouco injusta, uma vez que este novo que ensaiei durante alguns dias tinha o motor 1.5 a gasóleo, de 116 cavalos feito, também, em parceria com o grupo Renault-Nissan, ainda que, face ao anterior modelo, este motor seja um pouco mais alemão e um pouco menos francês – o que, para os críticos da geração anterior será uma coisa boa – mas acreditem quando vos digo que a menor cilindrada e potência praticamente não se notam.

Sim, o carro não tem aquele corpo de um dois litros, mas tudo o resto parece compensar bastante. A direção é ótima, o chassi está melhor, ainda que nos modelos de início de gama a traseira perca a suspensão independente multi-link e passe a ter um mais “antiquado” eixo de torção.

A Mercedes, neste departamento, defende que o conforto é igual ou, até, maior e com uma redução nos custos. Eu concordo. O carro está mesmo muito confortável, tanto pela suspensão e chassi, como pelos bancos em pele muitíssimo agradáveis.

O que se nota é que, em termos dinâmicos, o carro perde um pouco. Atenção: numa condução normal, praticamente não se nota a perda de dinâmica. Se quisermos abusar um pouco mais do carro – e a verdade é que o modo Dynamic ajuda bastante a que o consigamos fazer porque melhora muito a resposta do motor e da caixa – vamos perceber que alguns solavancos na estrada fazem a traseira ficar mais contente, digamos.

Nos modelos mais potentes da gama a traseira terá uma mais avançada (e cara) suspensão. Cá p’ra mim ficam muito bem servidos com os motores mais poupadinhos, até porque este 1.5 a gasóleo promete consumos inferiores a 5 litros combinados e eu sem andar com preocupações nenhumas em cidade, andava nos 6, por isso facilmente conseguimos atingir os valores indicados ou muito próximos.

Para quem prefere gasolina, a Mercedes disponibiliza, pelo mesmo preço, o A180 com um motor de 4 cilindros com 1.3 litros e um turbo e uns já mais interessantes 160 cavalos, mais coisa menos coisa. Quando o testar, logo direi da minha justiça, mas, pelo que sei, se não estão a pensar fazer muitos quilómetros, essa será a opção certa.

Em termos de design este carro deu uma abada ao anterior. Era giro? Era. Este é mais? É. Se a geração anterior era uma Catarina Furtado, esta nova pode dizer-se que é uma Kendall Jenner. Ambas extremamente bonitas, mas a segunda mais actual e apelativa ao público-alvo deste carro.

O interior foi beber muito ao Classe E e S, com o novo volante Mercedes-Benz mais esguio no interior, ou o painel integral que junta o painel de instrumentos ao de info-entretenimento como se fosse uma só peça, uma consola central meio “flutuante”, chamemos-lhe assim, enfim, está muito melhor que o anterior. Parece que respira mais, que tem mais espaço. E, na verdade, tem.

Pessoalmente, adoro e a única coisa que mudava era o painel de instrumentos. Sinto que os grafismo não são os melhores e ganhava mais com um mostrador mais clássico, redondo, ainda que digital. Mas isso, em comparação com o carro num todo, são peaners.

Aquele que é um dos familiares compactos mais vendido do país cheira-me que o vai continuar a ser e, agora, quem sabe chegar à liderança. Cá está. Em equipa que ganha não se mexe. A não ser que se chamem Mercedes-Benz e aí não só mexem, como fazem melhor. É um p’ra minha garagem, faz favor.

Mercedes-Benz A180d
Desde 32.450€

Para estacionar em saídas à noite: 5/10
Para papar topos de gama em semáforos: Está tão bom que não precisa de entrar nessas competições para os delinquentes/10
Para diversão abordo: 7/10

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