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Os relógios dos seus eletrodomésticos estão atrasados e a culpa é do Kosovo

Um problema na rede elétrica europeia está por detrás do problema que está a atrasar as horas em cerca de seis minutos.

Se nos últimos dias tem chegado ao trabalho atrasado e não percebe porquê, a explicação pode estar nos relógios dos seus eletrodomésticos. É que desde janeiro que os motradores dos aparelhos eletrónicos ligados à corrente elétrica têm vindo a atrasar-se. Neste momento, o atraso é de seis minutos e há pouco que possa fazer para o resolver. A causa do problema é ainda mais curiosa e tem origem no Kosovo. Sim, leu bem.

Uma falha na rede elétrica do país báltico está a afetar a distribuição de energia em 25 países onde se inclui Portugal. O anúncio foi feito esta terça-feira, 6 de março, pela European Network of Transmission System Operators (ENTSO-E), a entidade que gere a transmissão de eletricidade de 36 países.

O problema está a afetar a rede de “Espanha à Turquia e da Polónia à Holanda” e uma grande parte de países europeus que estão unidos por uma rede elétrica que opera na mesma frequência sincronizada e que permite regular as horas de certos dispositivos.

Na Europa Continental, a frequência sincronizada situa-se nos 50 Hz. Desde janeiro que baixou para os 49 Hz, uma alteração suficiente para provocar o atraso nos relógios. Ainda que esta se deva situar entre os 47,6 e os 52,4 Hz, basta verificar-se uma alteração para que os relógios sejam atrasados ou adiantados.

Pode corrigi-los manualmente, mas é provável que ele continue a atrasar-se gradualmente, ou então esperar que a frequência seja normalizada, o que pode demorar algumas semanas.

Na base deste problema está uma disputa entre o Kosovo e a Sérvia. Os kosovares não produziram energia suficiente e, de acordo com ENTSO-E, a Sérvia é legalmente obrigada a repor este défice para que não se verifiquem estas variações. Só que devido à tensão política desde a declaração da independência do Kosovo em 2008, que os sérvios recusam reconhecer, o país não foi ajudado.

A BBC explica que este impasse já custou à rede de eletricidade europeia 113 GWh, o que faz com que os ponteiros corram seis minutos mais devagar.

“Uma vez que o sistema europeu está interligado, quando existe um desequilíbrio em algum lugar, a frequência diminui ligeiramente. esse desvio médio de frequência, que nunca aconteceu de forma semelhante no sistema de energia europeu continental, tem de cessar”, refere Claire Camus, porta-voz da ENTSO-E, citada pelo The Guardian”.

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