Treino

Uma lesão roubou-lhe o sonho de correr a maratona – até que conheceu esta modalidade

Uma queda aos 18 anos deu origem a uma lesão que ameaçou destruir-lhe a carreira e o sonho de correr os míticos 42 quilómetros. Hoje está melhor do que nunca graças a uma modalidade que muitos ignoram.

Tudo começou quando tinha ainda 18 anos. Durante um jogo de futebol de amigos caiu no chão, que era de pedra. Segundo o atleta Tiago Miguel Silva, a lesão que o afeta agora – duas vértebras coladas na zona lombar – foram provocadas nessa altura, embora o mesmo não o tenha percebido na altura. O objetivo desde que começou a praticar atletismo com 21 anos, sempre foi correr uma Maratona, mas como estava vinculado a clubes e era especialista em distâncias menores nunca pode concretizar o seu sonho. Esperava começar agora, com 38 anos idade, começar a treinar para os 42 km, mas o problema agravou-se e teve de arranjar uma solução – a hidroginástica.

“Eu caí a jogar futebol num chão de pedra e, como estava em processo de crescimento, não me apercebi, mas duas vértebras (a L4 e L5) juntaram-se. Só aos 21 anos é que senti”

Num domingo qualquer, numa futebolada entre amigos, Tiago Silva, então com 18 anos, escorregou e caiu no chão de pedra. Como acontece normalmente, as dores vão e vêm e ninguém perde muito tempo a pensar no assunto. O jogo prosseguiu. Três anos começaram a surgir as primeiras dores mais intensas. Uma ida ao médico e alguns exames depois, chegava finalmente o prognóstico: a queda naquele jogo de quem já ninguém se lembrava tinha deixado sequelas nas vértebras L4 e L5.

“Só aos 21 anos é que senti dores durante os treinos com pesos. Percebi depois que as duas vértebras se tinham juntado”, conta à 4MEN o ex-atleta e personal trainer de 38 anos.

A lesão era, por si só, traumática para um praticante de atletismo. Como profissional em distâncias curtas – foi atleta do Belenenses durante 11 anos –, o sonho de correr uma maratona foi sendo adiado.

Tiago correu provas de 100, 200 e 400 metros. Fez de guia para atletas com deficiência e foi campeão e recordista dos 4×100 metros no Mundial de Quebec em 2003, ao lado de Firmino Batista. A partir de 2016, já como veterano e até com menores preocupações profissionais, começou a conquistar mais títulos em Masters, uma prova para maiores de 35 anos. Foi também campeão nacional por equipas pelo Belenenses em 2016 e 2017.

Aos 38, decidiu finalmente começar a preparar-se para a corrida de uma vida, até que a velha lesão o começou a atormentar. No início de 2017 surgiu uma rotura muscular no quadrícep direito. Mesmo com dores continuou a competir e em janeiro foi vice-campeão nacional de Masters (maiores de 35 anos) em 400 metros.

Uma nova ida ao médico piorou o cenário. Surgiu um problema numa terceira vértebra e o sonho parecia cada vez mais isso mesmo: um sonho.

“Quando o médico me informou que a vértebra S1, que está abaixo da L5, estava a colar-se à de cima, percebi que só tinha duas hipóteses: ser operado e, na melhor das hipóteses, deixar de treinar durante pelo menos seis meses; ou desistir do desporto”, recorda.

Qualquer uma das opções era dramática, por isso Tiago decidiu ir à procura de uma solução, que surgiu do local mais inesperado: a hidroginástica. Não, esta modalidade não é só para velhos.

“Sou muito prático e adoro superar as adversidades. Por isso, procurei uma especialista em Pilates clínico, que me ajudou e deu dicas para reforçar a zona lombar e abdominal. Ele sugeriu-me treinar em água”, explica.

O treino dentro de água ajudou-o a retirar pressão à zona da coluna e a recuperar fisicamente, ao mesmo tempo que trabalhava os restante músculos.

Deixou de correr e dedicou-se apenas à hidroginástica, onde trabalhava apenas com tornozeleiras de esponja, halteres e simples movimentos corporais. Ao fim de três meses, as melhorias são significativas e saltou da água para pequenas corridas e partidas de ténis.

“Os resultados foram ótimos. Não só deixei de ter dores nas costas e na bacia, como aprendi a nadar. Aumentei o volume cardiorrespiratório, a flexibilidade muscular e mobilidade articular, o que é importante para conseguir correr a maratona. Agora, aguento muito mais tempo debaixo de água e sinto que ganhei maior capacidade de armazenar oxigénio dentro do corpo”, frisa o atleta que mantém o sonho de completar a mítica corrida de 42 quilómetros.

Assim, um sonho praticamente arruinado foi salvo graças à força de mudar e inventar. E, pelo meio surgiu uma nova paixão: a hidroginástica.

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