Treino

O mundo inventou uma nova dieta onde não se pode comer quase nada

Depois da dieta sem glúten e sem lactose, chegou a vez de eliminar as lectinas da alimentação.

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Dietas que prometem uma perda de três quilos em sete dias sem passar fome, outras onde se fazem 20 horas de jejum, dietas de emergência para noivas e até algumas que vão totalmente contra as anteriores. Resumindo: há de tudo. Depois, há quem opte simplesmente por eliminar os alimentos com glúten e com lactose. Agora, junta-se mais uma à lista interminável: a dieta sem lectinas.

As lectinas são substâncias presentes em vários alimentos, principalmente nos de origem vegetal. Elas representam uma classe de proteínas não imunes que estão pela natureza e que se ligam aos açúcares. Por outras palavras, segundo Bárbara de Almeida Araújo, nutricionista e autora do blogue “Manias de Uma Dietista“, estas proteínas funcionam como uma defesa das plantas contra o ataque de predadores e algumas delas podem ser tóxicas.

“O nosso organismo não as digere e o seu consumo frequente pode aumentar a permeabilidade intestinal. Além disso, de acordo com Steven Gundry, um cirurgião cardíaco americano, estas proteínas podem provocar reações inflamatórias que podem levar ao aumento de peso, doenças autoimunes e outros problemas de saúde”, explica.

Que alimentos se tem de evitar para seguir esta dieta?

Alimentos refinados, açúcar, edulcorantes, leguminosas (sobretudo a soja, o feijão, a ervilha e a lentilha), bagas de goji, trigo, amendoim, caju e grãos estão fora de questão. Todo o tipo de cereais, bem como tomate, beringela courgette, melão, batata, pimento e sementes (chia, abóbora e girassol) também estão na lista dos alimentos proibidos.

Além de evitar alimentos ricos em lectinas, existem alguns truques na confeção e preparação dos pratos que também podem ajudar a reduzir os seus níveis em alguns alimentos. De acordo com a nutricionista, os legumes devem ser sempre cozinhados e as frutas e vegetais devem ser descascados. Mas há mais: deve retirar sempre as sementes e os grãos, e as leguminosas e os cereais devem ser demolhados.

Então, afinal, o que é que se pode comer?

“Fruta da época, vegetais de folha verde escura, brócolos, couves, couve-flor, espargos, rabanete e gorduras boas (abacate, azeite, óleo de sésamo e óleo de coco) são alguns dos alimentos que deve privilegiar. Além destes, pode inserir na alimentação avelãs, nozes, pistácios, castanhas, farinha de coco, farinha de amêndoa, millet, ovos ricos em ómega 3, carne de vaca alimentada em pastos, peixe e marisco, aves e leite apenas de origem europeia”, diz.

Curiosidade: a dieta paleo por si só já reduz em grande parte a ingestão de lectinas.

Esta dieta é indicada para qualquer pessoa?

Se tiver sensibilidade à lectina, problemas digestivos ou doenças autoimunes vai tirar vantagens desta dieta ou da redução desta proteína. No entanto, sendo uma dieta que elimina muitos alimentos — alguns considerados saudáveis porque fornecem nutrientes importantes ao organismo —, é importante ter algum cuidado. Afinal, uma alimentação que não inclui uma variedade de nutrientes pode ter um impacto negativo na nossa saúde.

“Por isso, se é saudável, tem uma alimentação variada e equilibrada, a ingestão de alimentos com elevado teor de lectina é provavelmente baixa para que esta se torne numa preocupação real. Além disso, quase ninguém come leguminosas cruas, sendo que o ato de demolhar e cozinhar por si só já vai diminuir a quantidade destas proteínas”, explica.

Quanto à perda de peso, por ser uma dieta recente, ainda não há muitos dados. Contudo, de acordo com a nutricionista, uma coisa é certa: eliminar alguns alimentos da nossa alimentação, sem os substituirmos por outros, vai fazer com que, muito provavelmente, a ingestão calórica passe a ser menor e com que se perca peso. “Mas isto não quer dizer que cortar especificamente alimentos ricos em lectinas levem a uma perda de peso significativa”, alerta.

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